Botucatu confirma dois casos autóctones de dengue

A Vigilância Ambiental em Saúde recebeu exames laboratoriais que confirmam os dois primeiros casos autóctones (que se formou ou teve origem no lugar em que foi encontrado) de dengue em Botucatu no ano de 2014. O primeiro caso é de um homem de 39 anos, residente no Jardim Aeroporto. O segundo é um senhor de 71 anos, morador do bairro Chácara Suman (próximo à Vila dos Lavradores). Com esses dois casos, Botucatu soma até o momento 20 casos confirmados de dengue. Os demais 18 são importados, ou seja, quando a pessoa é infectada fora da sua cidade de residência.

A VAS já realizou orientações junto à população dos bairros onde foram notificados os dois primeiros casos autóctones de dengue. Também foram feitos bloqueios de controle de criadouros do mosquito aedes aegypti e busca ativa (investigação de novos casos) nessas regiões, com objetivo de quebrar o ciclo da doença que ocorre da seguinte maneira: mosquito local se infecta ao picar uma pessoa doente e transmite para outra pessoa sadia.

A nebulização, ou seja, a aplicação de inseticida para o controle do mosquito, tem sido utilizada com bastante critério pela Vigilância Ambiental uma vez que a ação indiscriminada desse tipo de produto químico pode, inclusive, deixar o inseto vetor da doença mais resistente, como já ocorre em algumas regiões do País.

“Diante de avalição técnica, consideramos que a atividade de bloqueio de nebulização não é eficiente quando a infestação do mosquito é baixa na região do bloqueio e o índice de casas fechadas é alto (próximo de 40% – ideal é abaixo de 15%). Ainda assim não está descartada a hipótese de nebulização caso surjam novos casos nas regiões que foram identificados estes novos casos. Também é importante a colaboração da população permitindo a entrada dos agentes para que sejam identificados possíveis criadouros e passadas as devidas orientações”, esclarece Rodrigo Iais, diretor do Departamento de Planejamento de Serviços em Saúde de Botucatu.

De acordo com a Vigilância Ambiental em Saúde, outra dificuldade tem sido conscientizar a população evitar que potenciais criadouros do mosquito transmissor da dengue como vasos e pratos de plantas, piscinas, bebedouros de animais, materiais recicláveis, calhas, lonas, caixas d’água, entre outros recipientes e superfícies possam acumular água.

“O ideal é que as pessoas tenham o costume de fazer dentro de suas rotinas semanais uma inspeção minuciosa onde moram, seja na área interna ou externa da casa, e que repliquem essa ação junto a seus vizinhos, diminuindo assim a presença do mosquito", orienta Iais.

 

Ciclo rápido

 

O que preocupa as autoridades em saúde pública é justamente o aumento da infestação do mosquito e, consequentemente, o número de casos de dengue. A longa e atípica estiagem no verão deste ano, que registrou temperaturas acima da média, gerou por parte da população maior utilização de piscinas desmontáveis e de reservatórios artificiais devido ações de racionamento de água implantadas em algumas cidades do Estado.

Aliado a isso, o maior número de feriados prolongados provocou um aumento do deslocamento de pessoas a áreas endêmicas, ou seja, onde é alto o risco de contaminação do vírus como, por exemplo, as cidades litorâneas. Campinas, Jaú, Americana e algumas áreas da região metropolitana de São Paulo também enfrentam surtos da doença.

Para se ter ideia, um ovo de um mosquito da dengue consegue ficar mais de um ano grudado em um recipiente. Se essa superfície não for lavada adequadamente, com água e sabão, uma simples chuva pode fazer o ovo eclodir e surgir novos insetos em menos de dez dias.

 

Sintomas

 

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda que pode ter manifestações assintomáticas até quadros graves e fatais. Ela é causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes), ocorrendo principalmente nos países tropicais, onde as condições são favoráveis à proliferação do seu vetor: o aedes aegypti.

 

O vírus da dengue possui quatro sorotipos: Denv 1, Denv 2, Denv 3 e Denv 4. Estes quatro sorotipos já circulam no Brasil. Desde 1990, quando se estabeleceu a transmissão de dengue no Estado de São Paulo, o padrão epidemiológico da doença tem apresentado períodos de baixa transmissão intercalada com a ocorrência de epidemias, estas geralmente associadas à introdução de novo sorotipo ou à alteração do sorotipo predominante.

Nesta época do ano muitos também costumam confundir sintomas da dengue com as de gripes e resfriados. No caso das doenças respiratórias, febre e dores de cabeça e muscular costumam ser de baixa e média intensidade, além de virem acompanhadas por dor de garganta, tosse, secreção nasal e espirros, o que não ocorre na dengue.

Os sintomas característicos da dengue são: febre alta [acima de 38°C], dores intensas de cabeça, no fundo dos olhos, e por todo corpo, onde também podem aparecer manchas vermelhas.

Ao identificar esses sinais clássicos de dengue, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente e ficar em repouso permanente de 10 a 15 dias. Neste período, a Secretaria Municipal da Saúde, através da VAS, iniciará todas as atividades necessárias para evitar a transmissão da doença no Município. 

 

Dicas para combater o mosquito

 

• Manter a caixa d’água sempre fechada e vedada adequadamente 

• Limpar periodicamente as calhas da casa 

• Não deixar acumular água sobre lajes, imperfeições do piso e recipientes 

• Lavar, com escova e sabão, a parte interna e borda de recipientes que possam acumular água (ex: bebedouros de animais) 

• Não expor recipientes à chuva, deixando eles sempre em lugares cobertos e de cabeça para baixo 

• Jogar desinfetante, detergente ou sabão em pó em ralos pouco utilizados 

• Não deixar acumular água nos pratos dos vasos de plantas