Agentes de Saúde se manifestam contra baixos salários

Na manhã dessa sexta-feira um grupo de agentes de Saúde, que prestam serviços em unidades básicas de saúde da cidade, fizeram uma manifestação em frente ? Prefeitura Municipal de Botucatu, protestando contra os baixos salários que a categoria recebe. Os salários dos servidores são repassados pela prefeitura através da Fundação Une, que é terceirizada. Porém, o dinheiro repassado para este ano para a entidade já está embutido no planejamento de gastos do Executivo para 2010.

Não bastasse isso, os agentes de saúde, são representados pelo Sindicato dos Agentes de Saúde do Estado de São Paulo, que tem sede em Piracicaba e não teve nenhuma participação ou contou com um representante nesse movimento. E foi o sindicato que negociou os salários para os agentes, mas os de Botucatu não teriam sidos incluídos na negociação e estão sem reajuste há vários anos. A exemplo é o holerite da servidora Lucimara Jorge Leite que em 2004 ganhava R$ 545,00 e hoje ganha os mesmos R$ 545,00.

“Além de não termos aumento, somos a classe que menos ganha na Saúde. Por isso nosso protesto. O João (Cury, prefeito) em sua campanha alegou que iria implantar planos de cargos, carreira e salários dos servidores da saúde, extinguindo as injustiças funcionais e salariais, principalmente entre as equipes contratadas pela prefeitura. Por isso estamos aqui hoje para que ele nos ajude”, colocou Lucimara Leite.

A exemplo de Lucimara, o holerite de Graciela Vieira de Camargo e o de Tânia Mara de Oliveira também mostram que estão há anos ganhando salários abaixo da média e sem reajuste há vários anos. “Não é só o nosso (salário), não. Pode ver o holerite de todo mundo e comprovar que o que recebemos é o mais baixo da área de saúde”, reclama Graciela. “E olha que nós trabalhamos cuidando de pessoas que são portadoras de diferentes enfermidades, algumas até contagiosas e não ganhamos a insalubridade por isso”, complementou Tânia Mara.

Entre as atribuições dos agentes de Saúde está o Programa de Saúde Familiar (PSF), onde fazem visitas periódicas a pessoas doentes e acompanham exames que são agendados e realizados nos postos de saúde, assim como, fazem o acompanhamento de gestantes, de portadores de doenças crônicas, verificação de dengue, entre muitos outros. “Somos 80 agentes prestando serviços em Botucatu e temos um leque de atividades muito grande na área de Saúde e não somos valorizadas por isso”, comenta Lucimara.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Manoel Francisco Leme, orientou aos manifestantes a fazerem uma assembléia com a presença de diretores do Sindicato de Piracicaba para que o movimento não seja considerado ilegal. Segundo ele, é necessário que esse pessoal tenha representatividade para negociar salários e o representante da categoria é o Sindicato de Piracicaba, que tem que ser acionado para fazer reivindicações.

“A Prefeitura pode dar reajuste, mas teria que passar pela Câmara Municipal, já que os salários desde ano estão embutidos nos planos de gastos do Executivo de 2010. Nós não podemos fazer nada, já que não podemos passar por cima do Sindicato dos Agentes de Saúde”, diz Lema.

“Sei que a situação é delicada, mas os servidores devem caminhar numa linha para não serem prejudicados. A reivindicação salarial é justa, mas deve ser feita de acordo com a lei. Caso o sindicato não encaminhar um diretor para negociar, outros meios devem ser adotados como impetrar uma ação no Ministério do Trabalho. Mas, o primeiro passo é buscar a representatividade legal, que é sindicato”, acrescentou o presidente do sindicato dos servidores.

Como prefeito João Cury Neto, esteve atendendo a população que agendou, antecipadamente, horário em seu gabinete (como acontece todas as sextas-feiras), os manifestantes foram atendidos pelos secretários de Governo Caco Colenci e o de Descentralização e Participação Popular, João Carlos Figueroa.

Fotos: Fernando Ribeiro