Ações de comissão reduzem casos de infecções hospitalares

Com propostas que primam pelo estabelecimento de programas e parcerias com os mais diversos setores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (HCFMB), a Comissão de Controle de Infecção Relacionada a Assistência ? Saúde (CCIRAS) reduziu em 2/3 a ocorrência de casos de pneumonias associadas ? ventilação mecânica na unidade.

Os números refletem as mudanças pelas quais a comissão passou nos últimos dez meses, que centraram-se em ações nas Unidades de Terapia Intensiva e enfermarias do hospital. Algumas iniciativas foram implantadas pelo órgão com o foco principal na redução dos casos de pneumonia, além do risco de incidência de outras formas de infecção hospitalares.

As primeiras medidas adotadas foram o estabelecimento de normas mais severas para o isolamento de pacientes com doenças contagiosas, aumento no rigor do controle para a prescrição de antibióticos. “O objetivo é evitar o aparecimento de bactérias super resistentes”, enfatiza a médica Sandra Mara Queiroz Ricchetti, integrante da comissão.

Também foram atualizadas as medidas preventivas para as infecções nas UTIs após reuniões com as coordenações dessas unidades e também com as equipes de enfermagem responsáveis. A principal novidade é a auditoria que os locais recebem semanalmente, em dias aleatórios, para a verificação da aplicação das medidas.

Após alguns períodos de adaptações, os resultados começaram a ser perceptíveis. A mais impactante tem sido a redução em 2/3 dos números de casos de pneumonias nas UTIs do HCFMB. A cada mil dias de ventilação mecânica, ocorriam 33 pneumonias nas UTIs do hospital, hoje essa média foi reduzida a onze, abaixo do registrado pelos hospitais paulistas.

“A mais impactante foi a redução em 2/3 na ocorrência de pneumonias nas UTIs do HCFMB. A cada mil dias passados em ventilação mecânica (ou seja, em aparelhos que auxiliam a respiração), ocorriam 33 pneumonias nas UTIs do hospital. Hoje, essa taxa foi reduzida para onze. Esse resultado é significativo, já que a taxa é inferior ? média registrada nos hospitais do Estado de São Paulo, que é de 16 casos para mil dias de ventilação.”, explica prof. Carlos Magno Fortaleza, presidente da CCRIAS.

Segundo ele, o comparativo refere-se ? média registrada pelo hospital nos últimos anos. Os resultados mais significativos, conforme Fortaleza, passaram a ser a queda da incidência desses casos, além da mudança de postura das equipes, que mostraram maior engajamento nos processos adotados. “Na prática, isso significa que todos os meses prevenimos quatro pneumonias e evitamos uma morte entre os pacientes atendidos pelas UTIs do hospital”, complementa o presidente da CCIRAS.

Para o próximo ano, o enfoque será o combate ? s infecções urinárias e decorrentes de cirurgias. Isso implicará em campanhas para mudanças em alguns processos de trabalho dos profissionais envolvidos nesse tipo de cuidado ao paciente.

Fonte: Flávio Fogueral/ Jornal da FMB