Presos de São Manuel se rebelam por causa da superlotação

Mais uma vez a Cadeia Pública de São Manuel vira notícia nacional. Isso porque os presos se rebelaram por volta das 14 horas deste domingo e a situação foi controlada ? s 17h30 com chegada da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) de Botucatu. O motivo deste movimento dos detentos foi em razão da superlotação. Na cadeia que cabe, aproximadamente, 40 presos está com uma população carcerária de 219.

Mesmo a rebelião tendo durado pouco mais de três horas os presos danificaram quatro dos seis cárceres daquela cadeia e causaram estragos nos xadrezes usando barras de ferros e cavaram túneis para interligar as celas. Em razão das celas serem interditadas para manutenção, os presos passaram a noite no pátio e começaram a ser remanejados para outras cadeias da região nesta segunda-feira.

O diretor da cadeia local, delegado José Mário Toniato, revela que a situação dos presos de São Manuel lembra um centro de concentração nazista, onde os presos mal têm espaço sequer para sentar ou dormir. Por falta de lugar, alguns deles passam as noites no banheiro das celas. Ele não descarta a possibilidade de que os presos voltem a tentar a fuga. Cita que cada cela conta com mais de 30 presos, num espaço de apenas 16 metros quadrados.

“Os presos retiraram ferros das ventanas dos banheiros e passaram a cavar. Quando a ação foi descoberta eles se rebelaram e foi necessária a presença da Tropa de Choque da Polícia Militar para acalmar os ânimos e controlar a rebelião. Apesar dos estragos feitos nas celas, nenhum detento ficou ferido e a situação está controlada. Agora vamos tentar buscar a transferência de presos, mas o problema é que quando transferimos alguns presos, chegam um mesmo tanto ou mais”, salientou Toniato.

{n}Centro de Detenção Provisória{/n}

Após mais este episódio envolvendo os presos de São Manuel, o delegado seccional de polícia de Botucatu, Antonio Soares da Costa Neto, que é responsável pelo comando da Polícia Civil em 11 municípios da região, voltou a lembrar que a situação dos presos só será minimizada quando a região tiver um Centro de Detenção Provisória (CDP) para acomodar seus detentos.

Enfoca que a situação em Botucatu está mais tranquila em razão da cadeia estar interditada por determinação da juíza corregedora Adriana Toyano Fanton Furukawa e não pode acomodar mais do que 120 presos distribuídos em dez celas, ou seja, 12 detentos por cela, o que já é considerado um número alto, mas fica dentro do razoável se comparado a outros estabelecimentos prisionais do estado.

“As nossas cadeias já não comportam a demanda de presos. A (cadeia) de Botucatu, como está parcialmente interditada mantém uma rotatividade de 120 presos. É um número razoável, mas não o ideal. A situação de São Manuel é a mais grave em nossa área de atuação. Sempre defendi e continuo defendendo que somente com a instalação de um CDP poderemos desafogar nossas cadeias”, frisou o delegado seccional.

Ele lembra que o CDP construído pelo Estado é modelo e feito para alojar até 700 presos e isso é bem mais do que a demanda da região. “Acredito que somente com o CDP o problema da superlotação será sanado. Por isso é necessário que nossas autoridades constituídas venham a debater esse assunto, pois o CDP é necessário. Enquanto isso, os presos vão continuar buscando alternativas para tentar ganhar a liberdade e a polícia tem que estar sempre atenta para impedir”, arrematou Soares Neto.