Criança de 6 anos encontra droga e leva de ‘presente’ para professora em Bauru

Um menino de 6 anos, aluno do 1.º ano do ensino fundamental de uma escola municipal localizada na zona norte de Bauru, “presenteou” sua professora com uma porção de maconha, no início da manhã dessa quarta-feira (4). O caso, que beira o surreal de tão absurdo, chocou educadores e também a própria polícia. Os nomes dos envolvidos e da unidade de ensino foram preservados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Após oferecer a droga como presente à professora, a criança teve sua mochila revistada e, lá, mais 13 porções da mesma droga, que totalizaram 9 gramas, e outros 4 pinos de cocaína, que somaram 3 gramas, foram encontrados. O menino teria achado os entorpecentes em uma caixa na residência onde mora.

Até o final dessa quarta, a criança permanecia sob os cuidados do Conselho Tutelar, que tentava localizar uma tia, responsável pela guarda do garoto.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a origem e a responsabilidade sobre o entorpecente, que o aluno contou aos policiais ter encontrado dentro de uma caixa de sapato em sua casa.

A criança mora com os tios porque sua mãe e seu pai estariam presos, conforme o JC apurou.

‘Surpresa’

O caso ocorreu por volta das 10h. A escola em questão atende crianças do 1.º ao 5.º ano do ensino fundamental, dos 6 aos 10 anos de idade, aproximadamente. As crianças estavam em horário de aula quando o garoto se levantou e entregou a porção de droga para a professora, de 36 anos.

Surpresa, a mulher acionou a diretora da unidade. Segundo consta no boletim de ocorrência, juntas, elas conversaram com a criança, que parecia confusa ao tentar explicar onde havia achado o entorpecente. Ao revistarem a mochila do garoto, elas encontraram o restante da droga.

Elisabete Pereira, secretária de Educação interina, que também é diretora do Departamento de Ensino Fundamental da rede municipal, foi acionada. A Polícia Militar e o Conselho Tutelar também foram chamados.

“É um bom aluno, nunca gerou problemas, nem ele e nem os irmãos, que estudam nessa mesma escola”, aponta Elisabete. “Desconheço que tenha havido outros casos assim no município. Na verdade, ficamos todos preocupados. A criança não tinha noção do que estava fazendo”, acrescenta a secretária em exercício.

‘Inocente’

Na Central de Polícia Judiciária (CPJ), o garoto conversou com o delegado plantonista, Paulo Calil, na presença de um conselheiro tutelar.

“Em 25 anos de polícia, nunca presenciei algo assim. É triste. A criança é totalmente inocente no caso. Para o garoto, ele estava apenas presenteando a professora com alguma coisa, como se fosse uma bala, um doce”, comenta o delegado. Duas primas do garoto, que residem na mesma casa, apresentaram-se aos policiais e negaram a responsabilidade sobre a droga, que foi apreendida pela polícia.

Um inquérito instaurado nos próximos dias deve apurar, entre outras questões, em que circunstância o entorpecente foi encontrado de fato pela criança, e se a droga seria destinada ao tráfico ou ao consumo pessoal de alguém.

(Fonte: JCNet)