Vitimado pelo câncer, Orestes Quércia morre em São Paulo

O ex-governador Orestes Quércia morreu na manhã desta sexta-feira aos 72 anos de idade, vítima de câncer na próstata, no hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Ele estava internado desde a campanha eleitoral desde ano. Em razão do avanço da doença, teve que desistir de sua candidatura a senado da República. Ele havia tratado da doença há 10 anos, mas o tumor reincidiu.

Maior liderança e presidente estadual do PMDB de São Paulo, com grande influência nos diretórios do partido espalhados pelo interior do Estado, principalmente em Botucatu, Quércia deixa a mulher, Alaíde, e quatro filhos, além de R$ 117 milhões em patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral.

Quércia nasceu em Pedregulho, região de Campinas, onde estudou jornalismo, direito e administração de empresas. E foi em Campinas que Quércia percebeu sua aptidão política, iniciando carreira como líder estudantil e vereador pelo então Partido Libertador. Com 28 anos, já integrando as fileiras do antigo MDB foi eleito deputado estadual e, dois anos depois, prefeito de Campinas.

Foi eleito senador em 1974, ano em que o MDB teve uma vitória memorável elegendo 16 senadores e aumentando a bancada na Câmara de 87 para 160 deputados, em plena ditadura militar. Já na década de 80, fiou um dos fundadores do PMDB e foi eleito vice-governador de São Paulo na chapa de Franco Montoro. Apoiou as Diretas Já e a eleição de Tancredo Neves ? Presidência. Em 1986, sucedeu Montoro apoiado pelo “quercismo”, formado por eleitores fiéis, principalmente, no interior paulista.

À frente do governo paulista, enfrentou uma série de acusações de enriquecimento ilícito, estelionato e importação superfaturada de equipamentos de Israel para universidades, fraude em licitação e contratação sem concurso público pelo extinto Banespa e pela Cetesb. Foi responsabilizado, ainda, pela quebra financeira do Estado por diversos setores da sociedade. Quércia, cujo mandato terminou em 1991, nunca foi condenado em última instância em nenhum processo.

Depois de deixar o governo de São Paulo, Quércia tentou, mas nunca mais conseguiu se eleger a um cargo público. Em 2002, o então pré-candidato ? Presidência Luiz Inácio Lula da Silva ganhou o apoio de Quércia e, com isso, do PMDB paulista, ao dizer que desconhecia qualquer condenação por corrupção do ex-governador. Depois de muitas brigas – perdidas – por mais espaço no governo, Quércia rompeu com o presidente Lula e passou a chefiar a ala oposicionista do PMDB em São Paulo.

Em um acordo com o PSDB nas eleições de 2008, Quércia apoiou o candidato de José Serra ? prefeitura de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. Com isso, pôde se candidatar ao Senado na coligação com chapa tucana nas últimas eleições, em outubro, apoiando a candidatura de José Serra ? presidência. Seus planos, porém, foram interrompidos e ele retirou sua candidatura para se dedicar ao tratamento contra o câncer.