Vereador petista repudia grampos telefônicos

O vereador do PT Lelo Pagani (foto) está inconformado com um vídeo amplamente divulgado no YouTube, com uma conversa gravada durante a campanha eleitoral de 2008. O inconformismo de Pagani está no fato de seu telefone ter sido grampeado. Num dos trechos da conversa telefônica, um cabo eleitoral de Anhumas estaria cobrando R$ 80,00 pelos serviços prestados ao vereador.

“Fiquei profundamente chocado com esse episódio. Não pelo fato da conversa minha com o cabo eleitoral, pois ela tem uma explicação lógica e sim por saber que meu telefone estava grampeado. Aonde nós chegamos? Isso é invasão de privacidade! É crime”, comentou Pagani.

Vale lembrar que Pagani responde uma representação na Comissão de Ética da Câmara Municipal, por ter feito questionamentos sobre os gastos feitos pela secretaria de Saúde, se baseando em denúncias trazidas em uma carta anônima. A representação contra Pagani foi feita pelo secretário Narcizo Minetto e o relatório final deverá estar concluído nos próximos dias.

Ainda sobre o grampo telefônico divulgado pelo YouTube, vale destacar que em outros trechos, a conversa é com o secretário geral do PT José Everaldo da Rocha, com o marqueteiro da Campanha do então candidato a prefeito Valdemar Pereira de Pinho, chamado Lupércio, de Bauru. Nessa segunda-feira, o caso foi parar no 2º Distrito Policial (DP) onde o secretário fez a elaboração de um Boletim de Ocorrência (BO), para tentar descobrir quem teria grampeado o telefone.

“O telefone grampeado foi o do comitê, que a gente usava para manter contato com os cabos eleitorais e comando de campanha. Eram conversas internas particulares. Esse foi um dos mais tristes episódios da política botucatuense e tem nosso total repúdio. Não estamos acusando ninguém, mas quem fez isso tinha uma finalidade espúria”, colocou Rocha.

Embora o vídeo tenha sido tirado do ar, muita gente assistiu. “O mal já foi feito e quem cometeu o crime de grampo deve ficar atento, pois se for identificado terá muitas coisas a esclarecer. Espero que e polícia consiga elucidar tudo isso”, acrescentou o secretário do PT, que elaborou um manifesto de repúdio sobre o caso. Conheça a íntegra desse manifesto:

{n}Manifesto de repúdio{/n}

O PT de Botucatu vem a público demonstrar seu repúdio contra os responsáveis pelo crime de escuta clandestina de que foi vítima durante as eleições para prefeito em 2008, quando vários integrantes do partido e da organização da campanha tiveram seus telefones grampeados.

O partido e as vítimas individualmente vão tomar todas as medidas cabíveis para que os autores de atitudes como essa, que envergonham a política de Botucatu, sejam identificados pela polícia e punidos pela Justiça. “Escuta clandestina é crime, nós fomos vítimas de um crime nojento praticado por pessoas que tinham o interesse de nos prejudicar”, explica o presidente do Diretório Municipal do PT, Carlos Ramos.

O crime de escuta clandestina cometido contra o Partido dos Trabalhadores envergonha todos os cidadãos botucatuenses, contraria os princípios democráticos estabelecidos na Constituição Brasileira, demonstra que os responsáveis pelo delito menosprezam qualquer preceito legal e pensam que intimidando e agindo de forma malandra estão em vantagem sobre aqueles que seguem as regras democráticas e a legislação eleitoral pré-estabelecida.

É vergonhosa a tentativa de insinuar que o PT tenha cometido irregularidades durante o processo eleitoral, utilizando para isso edições truncadas e descontextualizadas, em uma clara tentativa de confundir a população. É mais vergonhoso ainda querer atribuir este crime aos próprios integrantes do partido.

Tentativas de intimidação não vão calar o partido, que vai continuar exercendo seu papel, agora com mais determinação ainda, podem ter certeza!

{n}Nota da redação:{/n}

O recente caso de grampo telefônico traz ? tona outro fato sobre a eleição municipal de 2008, em Botucatu, que ficou marcada por uma denúncia de compra de votos. O PT entrou com uma ação na Justiça alegando que houve compra de votos por parte da coligação que apoiou João Cury Neto, que se elegeu prefeito com uma larga margem de votos.

O episódio deixou no ar, a suspeita de que mais de 12 mil eleitores da cidade teriam vendido o voto. Entretanto, a ação foi julgada improcedente em duas estâncias da Justiça. E nada de anormal foi constatado. Agora a ação está em estância superior, em Brasília, e ainda não tem um parecer final

Na ocasião foi feito filmagens por um cidadão de nome Luiz Carlos Castro, alcunhado de Fumaça, que tem várias passagens policiais, que consta desde lesão corporal até assalto a banco e ninguém assumiu sua contratação para fazer as filmagens.

Então, pelo que consta, a eleição de 2008, poderá ter desdobramentos políticos que deverão ser utilizados nas duas próximas campanhas (2010 e 2012) e muita coisa poderá acontecer. O jornal {n}acontecebotucatu.com{/n} irá, democraticamente, ouvir sempre os dois lados da história para que seus leitores tirem suas próprias conclusões sobre o que ocorre nos bastidores da política.

Foto: Fernando Ribeiro