Padre Orestes receberá título de Cidadão Botucatuense

A Câmara Municipal de Botucatu aprovou uma propositura assinada pelo vereador Valmir Reis (PPS), por unanimidade, que outorga ao padre Orestes Gomes Filho, responsável pela Igreja Nossa Senhora Menina, da Vila Maria o título de “Cidadão Botucatuense”. O cerimonial de entrega da honraria acontece na noite do dia 11 de abril, em sessão solene.

O padre Orestes é, sem dúvida, um dos sacerdotes mais carismáticos e queridos de Botucatu. Percebeu sua vocação aos 16 anos de idade e foi incentivado a servir a igreja pelo então Arcebispo Dom Vicente Zioni.

É conhecido como o padre festeiro, em razão de sua iniciativa em organizar eventos. Em entrevista dada ao jornal Acontece o padre relatou sua trajetória de vida e como descobriu sua vocação sacerdotal. Relembre o que disse o padre que consegue transformar (sempre pra melhor) o cotidiano das paróquias onde é designado para trabalhar.

{n}Vocação sacerdotal{/n}

“Sou de uma família bastante religiosa e aprendi a gostar de festas participando de eventos no sítio Santo Antônio, no Bairro Três Barras, em Bofete, que era do meu avô. Então, desde “molequinho”, acompanhava as procissões e visitava muitas capelas em bairros como o Santo Antônio, Socorro, São Roque, Nossa Senhora Lurdes ou São Pedro. Também frequentava locais onde se rezavam o terço e eu gostava de rezar. Sempre gostei de rezar.

Lembro que em 1972 apareceram os missionários em Bofete e acompanhei as missões. Tinha amizade com um padre português chamado Teotônio que, na época, atendia a três cidades: Pardinho, Bofete e Anhembi, porque não havia um número suficiente de padres. Foi nesse tempo que despertou em mim a vocação sacerdotal. Parecia que alguma coisa dentro de mim me convidava, mas não encontrava apoio. Fiquei nessa luta durante três anos. Não tinha padrinho e precisava de alguém para me dar um empurrão”.

{n}Dom Zioni{/n}

“Em 1975, quando estava de 17 para 18 anos, vim fazer o Treinamento de Liderança Cristã (TLC) em Botucatu e me encontrei com o bispo Dom Vicente Marchetti Zioni, que falou sobre sua intenção de reabrir o Seminário de Botucatu, por entender que haviam jovens da região vocacionados ao sacerdócio. Foi então que falei ao Dom Zioni sobre minha intenção de ser padre. Ele disse na hora: “Você será um dos nossos candidatos”.

Fiz o TLC, fui para casa, mas estava convicto de que retornaria para o Seminário. E voltei a Botucatu em março de 1976. Fui acolhido pelo Dom Zioni e voltei a falar com ele sobre minha intenção, mas tinha um problema: eu só havia estudado até o ginásio e para entrar no Seminário precisava do colegial.

Outra vez o Dom Zioni me apoiou. Acho que viu que eu tinha, realmente, vocação e me colocou no Seminário. Então, passei a fazer o colegial no Colégio Santa Marcelina e o superior no seminário. Isso tudo ao mesmo tempo. E olha que havia interrompido os estudos há quatro anos. Passei a estudar no Seminário com outros jovens que estavam três anos mais adiantados e mesmo assim consegui acompanhar. Tenho orgulho de dizer que numa classe de 40 alunos fechava minhas notas primeiro que os demais.

Olha, dava tudo certo. Não tinha jeito e percebi que Deus havia me escolhido para ser padre. E me dei bem no estudo, até no aprendizado das cinco línguas do Seminário que eram o latim, francês, espanhol, inglês e o grego. Isso é coisa de Deus, não tem outra explicação. Mesmo estudando nunca deixei de participar de festas. E tem outra coisa: normalmente para se ordenar padre é necessário um tempo de 15 anos de estudos, mas consegui me ordenar com 10 anos, em dezembro de 1985”.

{n}Primeira igreja{/n}

“Na minha ordenação de padre o Dom Zioni me chamou e disse que me queria na Catedral de Botucatu, mas primeiro mandou-me para Avaré assumir uma igreja daquela cidade que havia sido construída. Fiquei naquela cidade por 10 anos. Nesse tempo lancei lá a “Festa do Milho”. Fiz até a 8ª edição e ela continua sendo realizada com muito sucesso. É uma semente que nós plantamos lá e que está gerando frutos. Com a Festa do Milho em Avaré, levantei recursos para construir duas casas para a paróquia. Depois fui para Arandu, que faz parte de Avaré, onde fazendo festas, algumas fora de época, reformei a igreja e fiz um centro comunitário”.

{n}Festa de Santana{/n}

“Quando cheguei a Botucatu e assumi a Catedral em 1995, a cidade estava parada e no primeiro ano não tive clima para fazer festa, mas pensei: no próximo ano vou fazer a festa de Senhora Santana, que é a santa padroeira. Não deu outra. Fiz a festa e foi um sucesso. O bispo era o Dom Antônio Mucciolo que chegou a me dizer que eu não iria conseguir mobilizar a comunidade. Fui atrás de todo mundo, atrás dos vereadores, atrás do prefeito Pedro Losi (na época) e consegui mais do que a festa. Consegui fazer com que o Dia de Santana, passasse a ser feriado na cidade”.

{n}Vila Maria{/n}

“Fiquei oito anos na Catedral e fui designado para trabalhar na igreja Nossa Senhora Menina aqui na Vila Maria, onde estou até hoje. Já no primeiro ano criei a Festa do Milho que este ano entrou na sua 12ª edição. O padre Cláudio que estava aqui também trabalhou bonito, mas as festas eram limitadas. Fizemos a Festa do Milho e o sucesso foi tão grande que nós decidimos fazer uma festa fora de época, com o nome de “Safrinha de São João”.

{n}Linha de produção{/n}

“A comunidade da Vila Maria é maravilhosa e sem ela não conseguiria fazer nada. Para realização da Festa do Milho o pátio da igreja Nossa Senhora Menina se transforma em uma verdadeira linha de produção. Um grupo colhe o milho, outro faz o transporte até o pátio da igreja, onde um grupo descasca as espigas, antes que elas sejam encaminhadas aos “departamentos da empresa”, para que os produtos sejam feitos. Uma parte vai para o cozimento, outra para a trituração. Todas as máquinas para manusear as espigas de milho foram feitas por mim. “Inventei” as máquinas, somente para fazer esta festa”.

{n}Vida sacerdotal{/n}

“Tenho 10 anos de Avaré, oito anos de Catedral e 11 anos de Vila Maria. Nesses quase 30 anos não sei quantas festas organizei. Sei que foram muitas, sempre com renda revertida para ser aplicada na própria comunidade da igreja. E assim gente vai caminhando. Trabalhando por amor a Deus, rezando muito e fazendo festas. E sou um padre que ficou conhecido por não usar batina no dia a dia. Na verdade, uso botina”.