Ocupação do patrimônio ferroviário é discutida em audiência pública

Na manhã desta quarta-feira (10), a Prefeitura de Botucatu realizou audiência pública com a finalidade de discutir o plano de ocupação do conjunto ferroviário da Cidade. O evento aconteceu na sede da Câmara Municipal e contou com as presenças do prefeito João Cury Neto; de vereadores, secretários municipais e representantes da comunidade.

O evento teve objetivo de buscar sugestões para dar a destinação adequada para o imenso patrimônio espalhado por uma área de oito alqueires e que, por muitos anos, esteve abandonado. Neste ano, depois de meses de negociações com o Governo Federal, a Prefeitura obteve a cessão de uso por 20 anos dos imóveis que pertenceram ao patrimônio da Rede Ferroviária Federal.

“Estamos aqui para ouvir. Não temos uma receita pronta e essa audiência não serve apenas para homologar algo já pronto. Um governo como o nosso, que preza pela participação popular, tem que ouvir a população a todo momento”, frisou o prefeito.

O secretário municipal de Planejamento e de Governo, Carlos Eduardo Colenci, apresentou através de slides a área e os prédios que se encontram em processo de tombamento pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) e ressaltou o caráter de preservação da memória ferroviária e revitalização de um setor importante da Cidade. “Viemos aqui para compilar sugestões que nos permitam elaborar um plano diretor de ocupação da área, desenvolver o projeto executivo e buscar recursos para viabilizá-lo”, anunciou.

Por cerca de duas horas, o público teve a oportunidade de se manifestar. Além de apresentarem sugestões para a ocupação dos prédios, ferroviários aposentados e ex-ferroviários fizeram questão de voltar no tempo e recordar os momentos vividos quando o trem era sinônimo de pujança e desenvolvimento. Muitos ressaltaram a importância de recuperar a antiga estação, dando a ela uma destinação ferroviária e/ou cultural.

Para o antigo depósito e oficinas também foram sugeridos investimentos que permitam o desenvolvimento de atividades nas áreas de cultura, lazer, esportes e educação, além de dotar a cidade de um centro de eventos e exposições. Manifestações também foram feitos no sentido de criar um trem turístico que atenda a região. Além disso, foi sugerida a realização de parcerias com a iniciativa privada, buscando garantir recursos que permitam a manutenção dos prédios a serem revitalizados.

Atendendo sugestão do presidente da Câmara, vereador Reinaldo Mendonça Moreira, a Prefeitura continuará recebendo sugestões da comunidade e estimulando o debate em torno da ocupação do patrimônio ferroviário através dos veículos de comunicação. O material recolhido servirá de subsídio para o estudo técnico que o arquiteto Guilherme Michelin executará e que deverá resultar no Plano Diretor do complexo.

“Uma das primeiras ações que deveremos promover é a ocupação de um dos galpões com atividades voltadas ao público jovem e adolescente. Inclusive já temos recursos para isso”, anunciou o prefeito, que durante o seu mandato pretende ainda ocupar outros prédios. “Esse é um processo que mexerá com a cidade pelos próximos vinte anos. Não teremos condições de fazer tudo, mas deixaremos um plano pronto que poderá ser seguido pelos próximos prefeitos. Não terão a necessidade de começar do zero como aconteceu conosco”, colocou João Cury.

“O importante é que a etapa mais importante foi vencida, que era ter esse patrimônio nas mãos do município. Sem isso, prometer alguma coisa era discurso vazio. Deixaremos um grande legado para as próximas administrações”, declarou o prefeito, que nas próximas semanas já deverá apresentar novidades em relação a ocupação de alguns prédios.

Fonte: Secretaria de Comunicação
Fotos: David Devidé