Eleição de Milton Flávio gera “racha” dentro do PDSB

A eleição do ex-deputado estadual Milton Flávio para a presidência do PSDB paulistano, deixaram evidente que o racha entre as duas principais correntes tucanas em São Paulo, a do ex-governador José Serra e a do atual governador Geraldo Alckmin, está se ampliando. O vice-presidente do PSDB nacional e ex-governador paulista Alberto Goldman e o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, estão trocando farpas, ao falarem sobre a eventual quebra do acordo que elegeria o vereador Andrea Matarazzo, ligado ao grupo de Serra, presidente do PSDB de São Paulo, ao invés de Milton Flávio.

Sob a alegação de que o acordo teria sido rompido por aliados de Alckmin, Goldman cobrou um posicionamento do atual governador do Estado. “Estou esperando o governador se manifestar. Ele próprio me disse, que havia um acordo para eleger o Andrea Matarazzo e isso foi rompido para eleger um funcionário do secretário José Aníbal”, disse, numa referência ao fato de Milton Flávio ser subsecretário de Energias Renováveis de Aníbal.

“(Milton Flávio) É um rapaz de bom caráter, de Botucatu e não tenho problema pessoal com ele. Mas deixar de eleger o principal vereador nosso, com representatividade em São Paulo e nacional, para eleger um funcionário do secretário é algo incompreensível”, colocou Goldman.

Aníbal disse que as críticas de Goldman são desagregadoras. “(Goldman) É uma pessoa amarga e não vou comentar as declarações dele, que são desagregadoras e não têm relevância alguma. Goldman é um sujeito amargo e desrespeitoso”, afirmou o secretário de Energia. Segundo ele, não foi possível chegar a um acordo porque o grupo de Matarazzo não contemplou os alckmistas na divisão de cargos, o que é usual.

“Não foi possível chegar a uma convergência. O Andrea (Matarazzo) queria a primeira vice-presidência, a secretaria geral e a tesouraria do partido. O Andrea é uma liderança política importante, mas não ao ponto de ser presidente com toda essa hegemonia”, disse. “Já o Milton (Flávio) tem uma liderança com capilaridade na militância”, alfinetou Aníbal.

{n}Rompimento{/n}

Andrea Matarazzo reafirmou que o acordo feito pelo grupo de secretários – que inclui, além de Aníbal, os titulares estaduais das pastas de Meio Ambiente, Bruno Covas, e de Planejamento, Julio Semeghini – “e em nome do governador” Alckmin para uma chapa de consenso foi rompido, o que o levou a retirar a candidatura. “Foi uma eleição com um candidato só. Retirei a candidatura com a fraude montada, porque enfrentar um candidato do partido seria perfeito, mas enfrentar três representantes do governo não tinha condições”, argumentou.

Para o vereador tucano, o PSDB paulistano, a partir de agora, “estará ? disposição das candidaturas de José Aníbal, Julio Semeghini e Bruno Covas e do deputado estadual por Botucatu Milton Flávio”. E disse que se tivesse sido o escolhido para presidir o partido no município, sua gestão seria menos personalista e mais voltada aos interesses da própria legenda.

Apesar da troca de farpas, Goldman, Aníbal e Matarazzo têm ao menos uma posição convergente: todos avaliam que a crise paulistana não irá contaminar o processo de união do PSDB nacional pedido pelo ex-presidente da República Fernando Henrique em torno da pré-candidatura do senador mineiro Aécio Neves.

{n}O presidente{/n}

Milton Flávio, Subsecretário de Energias Renováveis de SP, como presidente do Diretório Municipal do partido comandará o partido na capital Paulista pelos próximos dois anos. “Em muitas circunstâncias, nós militamos em grupos diferentes, mas sempre torcemos e trabalhamos por um PSDB cada vez mais forte”, disse o presidente. “Me perguntaram qual era a receita que eu tinha para o partido e eu digo que é ouvir o que os companheiros que estão nos diretórios zonais pensam e acham que o partido deve fazer em suas respectivas regiões. Não tem remédio único; para cada doença, para cada problema, há uma receita diferente”, acrescentou.

Professor da Faculdade de Medicina de Botucatu-UNESP, mestre e doutor em cirurgia experimental, foi diretor do Hospital das Clinicas de Botucatu, secretário da Saúde e Meio Ambiente de Botucatu e superintendente do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE). Foi deputado estadual pelo PSDB, presidente da Comissão de Saúde e Higiene na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e líder de governo nas gestões Mario Covas e Geraldo Alckmin, além de vice-líder do governo na gestão de José Serra e ex-presidente da União dos Parlamentares do Mercosul. Antes de ser subsecretário de Energias Renováveis, Milton Flávio era assessor especial da Secretaria de Energia.