Deputado Milton Monti nega envolvimento com a Feira do Brás

“Não tenho nenhuma relação com a feira e não tive qualquer contato com Geraldo. Confio na Justiça para esclarecer toda essa situação que envolveu o meu nome. A verdade virá ? tona para esclarecer o que é certo”. Foi o que disse na manhã desta segunda-feira o deputado federal Milton Casquel Monti (PR), ao jornal Acontece através de sua assessoria, negando qualquer envolvimento com um esquema de propina envolvendo seu nome. A denúncia foi feita pelo administrador da Feira da Madrugada ou Feira do Brás, em São Paulo, Geraldo de Souza Amorim. Ele afirmou que Monti teria exigido propina para que ele permanecesse no comando do negócio.

Esta é a vez primeira que Milton Monti teve seu nome citado em algum ilícito político, desde que se iniciou na vida pública, há 28 anos, como prefeito de São Manuel em 1983, quando tinha 21 anos de idade. Depois foi eleito deputado estadual por dois mandatos (1991 a 1998). Elegeu-se deputado federal em 1999 e está no seu terceiro mandato.

Amorim acusa, além de Monti, o deputado federal Valdemar Costa Neto, principal liderança estadual do PR, este também é réu no processo que julga um grupo de deputados suspeito de receber propina para votar favoravelmente aos projetos de interesse do governo federal do então presidente Lula

O esquema denunciado por Roberto Jefferson ficou conhecido, nacionalmente como Mensalão. Além disso, Costa Neto também está envolvido no suposto esquema de corrupção no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNTI), órgão do governo Federal que tem um orçamento de 15 bilhões.

No caso da Feira do Brás, o administrador revelou ao jornal Folha de São Paulo, ter recorrido ao vereador Agnaldo Timóteo, também do PR, para reagir ? s pressões. Graças a Timóteo, diz, teve reuniões com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e com o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento. Também afirmou que o pedido de propina lhe foi feito tão logo a proprietária da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) ser extinta e o terreno da Feira da Madrugada entrou na inventariança.

Amorim conta que entrou com pedido em 1994 para administrar o terreno da feira, perto da estação do Pari (região central), e foi feito um termo de permissão de uso para a área da feira, a favor da GSA, empresa dele. “Eu recolhia taxa dos camelôs cadastrados e pagava um aluguel de R$ 130 mil por mês ? RFFSA, que era a dona do terreno”, relata.

Disse que, em 2006, começou a ser pressionado pelo vereador Adilson Amadeu (PTB) sobre irregularidades na feira e procurou Timóteo, que o levou ao prefeito Kassab. “Havia um boato de que a prefeitura ia fechar a feira”, disse. “O Kassab só ouviu, não falou nada. Eu disse para ele que não precisava colocar tijolinho, porque fecharia o portão ? s 18 horas”.

Ainda de acordo com Amorim, o atual gestor da feira, Ailton de Oliveira, recebia dinheiro de feirantes e não repassava ? GSA. “Então eu o demiti”. Depois, Ailton teria se aliado a Amadeu. Amorim afirma que Timóteo o levou ao ministro Alfredo Nascimento para tratar da legalização da feira. O terreno teria sido vinculado ao ministério.

“Foi aí que começou a aparecer o Monti (Milton), o (Valdemar) Costa Neto. Um dia o Agnaldo me diz: “Você está sendo pressionado e vai ter de sair”. Amorim diz que o questionavam sobre o faturamento da feira. “Monti disse que sabia que eu faturava R$ 8 milhões por mês. Eu disse que ele estava sabendo errado”.

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São Paulo é a maior cidade do Brasil, alem de ser a terceira maior metrópole do mundo, com isso ela se tornou o maior centro comercial do País. Por isso, São Paulo tem grandes feiras populares como a do Brás, que agrega centenas de lojas e barracas de comercialização de produtos, onde se pode encontrar desde um lápis a produtos eletroeletrônicos de alta tecnologia.

O Brás funciona das 03 da manhã ? s 10 horas, onde se concentram o maior numero de “mochileiros (pessoas que compram para revender). Diariamente, é grande a concentração de pessoas na madrugada e diversos ônibus do País inteiro trazem pessoas para a realização de suas compras. Muitas pessoas “engordam” o orçamento da família comprando na Feirinha da Madrugada no Brás e revende em lojas ou para outras pessoas.