Câmara tem protesto contra salários dos vereadores

“Essa é a primeira! Voltaremos”;  “A crise apenas existe com os servidores, na Câmara não”;  Não seja vereador, seja voluntário;  Vereador não é profissão;  “Não vamos desistir”; Salário R$ 788,00”.

Foram essas algumas frases de protesto que um grupo de manifestantes levou à Câmara Municipal na sessão ordinária desta segunda-feira com o intuito de que seja revisto o salário dos vereadores da legislatura atual, assim como a que se inicia em 2017 e que já foi votada. O plenário recebeu, aproximadamente, 50% de sua lotação.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Botucatu (Sispumb), José Manuel Leme, o Mané,  que é um dos principais líderes do movimento alegou que eram esperadas cerca de mil pessoas, mas o mau tempo fez com que permanecessem em casa. “Infelizmente a chuva e o frio fizeram com que o movimento não tivesse o número de pessoas esperado. Mas isso não é problema, porque o objetivo é realizar outros protestos, até que os vereadores criem coragem e sentem numa mesa para conversar”, disse Mané Leme.

O protesto é em razão do Projeto de Lei que foi aprovado antes do recesso do mês de julho deste ano que aumentou o salário dos vereadores para 2017. A manifestação é para que o salário não ultrapasse o salário mínimo, ou seja, R$ 788,00. Com a votação os subsídios dos vereadores da próxima legislatura estão fixados em R$ 5.445,04 (R$ 6.930,05 para o presidente). Salário atual é de R$ 4.986,19 (vereadores) e R$ 6.364,06 (presidente).  Já o salário do prefeito passa de R$ 15.865,15 para  R$ 17.325,14  e o vice-prefeito que é de R$ 8.499,18 passa para  9.281,31. Já os secretários municipais de governo receberão o mesmo valor do vice-prefeito.

Na sessão ordinária da próxima segunda-feira, Mané Leme adianta que irá pedir o direito de usar a tribuna. “Eles poderiam ter me deixado falar hoje, mas não quiseram, porque o chefe do Cartório Eleitoral, Igor Inácio, veio para explicar sistema de biometria que está sendo implantado. Mas não tem problema, a semana que vem eu falo e espero que o tempo nos ajude para que a Câmara esteja superlotada”, frisa o sindicalista.

E acrescenta: “O vereador deveria ter consciência. A maioria da população ganha por mês o que um vereador recebe por participar de uma sessão de três horas, uma vez por semana. E o que mais fazem é dar nome a ruas. É um absurdo! E tem outra coisa: tem vereador com trabalho paralelo e ganha dois salários. Isso é uma imoralidade e precisa acabar”, coloca. “Na semana que vem estaremos aqui novamente”, promete.