Câmara fomenta discussão sobre realização de rodeios

A Câmara Municipal de Botucatu ficou pequena para o número de pessoas interessadas em participar da Audiência Pública realizada na noite desta quinta-feira (1º dezembro), que teve como objetivo principal debater questões relativas ? realização de rodeios na Cidade. A proposta dessa audiência foi feita através do requerimento nº 953/2011, assinado pelo vereador Xê (PSDB), e que também leva a assinatura do Dr. Bittar (PCdoB), Bombeiro Tavares (DEM) e Fontão (PSDB).

Um forte esquema de segurança foi montado pela Polícia Militar (PM) e Guarda Civil Municipal (GCM), tanto na parte interna da Câmara que recebeu cerca de 150 pessoas, como do lado externo, onde, aproximadamente, 100 pessoas aguardavam uma oportunidade para entrar, alguns levando faixas e cartazes, na parte superior da Praça Comendador Emílio Peduti – Bosque. Apesar de o tema ser polêmico, nenhum incidente grave foi registrado.

“Tudo transcorreu dentro da normalidade e nenhum incidente foi registrado, apenas discussões mais acaloradas, entre as pessoas favoráveis e as contrárias e a insatisfação daqueles que não puderam entrar em razão da superlotação do plenário. No geral, podemos dizer que tivemos uma reunião bastante tranquila, apesar de existir dois grupos distintos”, colocou o tenente PM Noronha.

A Mesa dos Trabalhos foi composta pelos vereadores Xê e Dr. Bittar; professor Orivaldo Tenório de Vasconcelos, técnico veterinário formado pela Unesp de Jaboticabal e um dos maiores especialistas em rodeios do Brasil; professor Flávio Masssoni, professor titular de Anestesiologia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp e representante da Associação Protetora dos Animais (APA); o assessor jurídico da Câmara, advogado Ezeo Fusco Júnior, além de André Sacamone, ex-peão e juiz de rodeio.

A discussão girou em torno da Lei Municipal nº 4.904/2008, que em seu artigo 36, proíbe a utilização de sedém em animais. Sedém uma corda confeccionada da crina do cavalo, rabo do boi, lã ou espuma revestida de tecido macio que, passada na altura da virilha do animal, tem a finalidade de estimulá-lo a pular. Para muitos o sedém é um instrumento de tortura e os rodeios são um ritual de maus tratos aos animais. Além do sedém, os peões usam esporas.

Para o vereador Dr. Bittar a audiência foi produtiva e a Câmara deu um exemplo de democracia, promovendo o debate. “É aqui no Legislativo que este tipo de discussão deve ser discutido e todos puderam tirar suas dúvidas com relação ao tema. Estiveram presentes especialistas da área que responderam os questionamentos que foram feitos. Essa discussão deve ter desdobramento e outras reuniões como esta devem ser agendadas”, comentou Bittar.

Para o vereador Xê, foi este o primeiro grande passo para que o artigo 36 da Lei Municipal seja alterado. “Em um rodeio sério e bem organizado, o animal não sofre nenhum tipo de mau trato. Claro que existem os rodeios que não atendem as normas, mas esses devem ser denunciados e proibidos. Não podemos nos esquecer que em todos os segmentos temos bons e maus profissionais. No rodeio não é diferente e existem os que são clandestinos e que não atendem as normas exigidas. Esses sim devem ser proibidos, mas em um rodeio sério isso não acontece e todo o processo é acompanhado por profissionais especializados”, frisou Xê. “Além disso (o rodeio), fomenta o turismo atraindo pessoas de diferentes cidades do Estado, aquece a economia e gera empregos”, emenda.

Fotos: David Devidé