Após troca de provocações entre vereadores, venda do prédio da Guarda Mirim é rejeitada

A Câmara Municipal realizou na noite desta segunda feira, 29, mais uma sessão ordinária, seguida de extraordinária, com algumas discussões importantes. A matéria mais polêmica da noite era o projeto 79/2015 – de iniciativa do Prefeito Municipal – que tratava da venda do prédio da Guarda Mirim, localizado na Praça Carlos Gomes. Segundo o Poder Executivo, o dinheiro seria usado na construção do Complexo Esportivo da Vila Maria/Jardim Brasil.

O projeto veio cercado de polêmica desde o ano passado, e entrou na pauta para uma segunda discussão após ser adiado por 30 sessões pelo vereador Fenando Carmoni (PSDB), líder do prefeito. Na primeira votação em dezembro de 2015 o mesmo foi rejeitado, pois era preciso 2/3 dos vereadores votando pela aprovação. Rose Ielo (PT), Carlos Trigo (PT), Reinaldinho (PR) e Lelo Pagani (Rede) votaram contra na oportunidade.

Provocações e acusações no plenário

A vereadora (ainda) petista Rose Ielo usou da tribuna para continuar justificando seu voto contrário. Segundo ela, a prefeitura deveria usar o valor do superávit (aproximadamente R$ 24 milhões) para investir no complexo do Jardim Brasil. Pediu também que os deputados Fernando Cury e Milton Monti colocassem emendas para o projeto tratado como prioridade pela prefeitura.

O vereador Reinaldinho (PR) adotou tom mais conciliador, dizendo respeitar a posição dos vereadores que votariam favoráveis, mas se posicionou mais uma vez contrário. “Não se pode vender um prédio próprio para pagar aluguel em outro”, disse o vereador. O parlamentar mais uma vez levantou a questão de prédios alugados e sugeriu venda de outros terrenos inservíveis para administração.

Líder do prefeito João Cury na Câmara, o vereador Fernando Carmoni (PSDB) fez uso da palavra e criticou seus colegas que votariam contra. Deu indiretas para requerimentos de obras prontas (possível alusão à Reinaldinho), desafiou Rose Ielo para votar o projeto, quando a mesma sugeriu emenda que garantisse o valor da venda no projeto do Jardim Brasil.

Por fim insinuou que os parlamentares eram contra o complexo e a população local, o que já tinha sido rechaçado por Rose e Reinaldinho. Por diversas vezes a vereadora do PT pediu parte na fala do tucano. Em determinado momento Carmoni negou, o que causou certo frisson na plateia presente.

 

Valmir Reis falou

Tão raro como o 29 de fevereiro (data da discussão) é o vereador Valmir Reis usar a tribuna para falar. O parlamentar defendeu a construção do complexo em sua região (Jardim Brasil), dizendo que a população local é carente de equipamentos.

Ele pediu – em vão- para que seus colegas votassem favoráveis. Lelo Pagani e Carlos Trigo não se pronunciaram.

 

 

Rejeitado

Votaram a favor: Izaias Colino (PSDB), Fernando Carmoni (PSDB), Fontão (PSDB), João Elias (Solidariedade), Carreira (PSB) e Valmir Reis (PPS).

Votaram contra: Rose Ielo (PT), Reinaldinho (PR), Lelo Pagani (Rede) e Carlos Trigo (PT).

Desta forma o projeto foi rejeitado. Mas fica a impressão de que o assunto não terminou, podendo ser usado futuramente em discussões políticas.

Lelo Pagani Tucano

Um momento com muitos risos por quase todos no plenário foi protagonizado por Lelo Pagani. Ele era autor do PL Nº. 04/2016 que denomina de "Rua dos Tucanos", a Rua "04" localizada no Condomínio Nova Califórnia II. “Quero dizer aqui que foi um pedido da população. Não foi uma escolha minha, embora eu goste do tucano, a ave”, brincou o vereador.

Além do Tucano, o João de Barro também foi aprovado como nome de no Condomínio Nova Califórnia II. O último projeto de iniciativa do Vereador Carreira denominava "Milton Francisco de Oliveira", o Serviço de Acolhimento Institucional – Espaço Acolhedor, localizado na Avenida Paula Vieira, nº 489, na Vila Emma. Matéria foi aprovada.

Projeto dos trailers não foi votado 

Único projeto na sessão extraordinária, a matéria foi o motivo da presença de diversos comerciantes da gastronomia de rua em Botucatu. O PL 131/2015 – De iniciativa do Prefeito Municipal –disciplina a comercialização de alimentos em vias e áreas públicas.

Rose Ielo de imediato pediu adiamento por uma sessão. O vereador Izaias Colino, que teve parte negada na fala da petista, pediu para que a bancada do PSDB votasse contra o adiamento, o que foi acatado. O adiamento da vereadora foi negado pela maioria dos vereadores. “Já que é de praxe negarem meus adiamentos, sou forçada a pedir vista da matéria”, disse Rose Ielo.

A matéria será analisada e voltará na próxima sessão, dia 07/03, segunda feira. A vereadora terá que apresentar um relatório sobre seu pedido. 

(Fotos: Anderson França)