Veado e tucano são capturados em área urbana

Os moradores da Vila Paulista, região norte da Cidade, se surpreenderam com a “visita” inesperada de um filhote de veado catingueiro que saiu do seu habitat natural e depois de passar pelo quintal, se refugiou no banheiro.

Esta espécie de veado que já foi abundante na região, está em risco de extinção e com a chegada dos agentes Rodrigues e Ribeiro da Guarda Ambiental Municipal o animal teve a cabeça coberta com uma toalha para evitar o estresse, já que estava muito assustado e foi trancado no banheiro pelos moradores até a chegada dos guardas. O animal não aparentava ferimentos.

Já na região central da Cidade, uma ave da espécie conhecida, popularmente, como tucano “caiu” em uma residência. Chegando ao local os guardas perceberam que a ave estava com uma das asas, parcialmente, cortadas e estava sendo mantida em cativeiro. Ela conseguiu fugir, mas acabou caindo no quintal dessa casa.

Os dois animais foram encaminhados ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (CEMPAS), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, ficando aos cuidados da equipe do professor/doutor Carlos Teixeira para serem cuidados e, posteriormente, reintegrados ao habitat natural.

Segundo Teixeira é nesse Centro de Atendimento que são trazidos aves e animais resultado de apreensões feitas pela Polícia e Guarda Ambiental ou vítimas de atropelamentos em estradas ou ainda vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los.

“Muitos animais que mantemos aqui são condenados a soltura, pois estão muito humanizados, ou seja, não conseguem viver sem a presença do homem e se retornarem ao habitat natural, seguramente, não sobreviveriam. Por isso são tratados e alguns deles são transferidos para zoológicos ou criadouros conservacionistas, outros permanecem aqui para serem pesquisados e são base para teses e doutorados. Porém, essas pesquisas não envolvem a eutanásia (morte do animal)”, explicou Teixeira.

Já os animais que foram retirados de seu habitat natural e tiveram pouco convívio com o ser humano são tratados, recuperados e soltos. Porém, ele alerta que não é aconselhável soltar animais, indiscriminadamente, na natureza.

“Mesmo aqueles que ainda estão em condições de viverem em liberdade na natureza têm que ser soltos de maneira adequada, pois no reino selvagem existe uma competição muito intensa pela disputa de território e não são raros os casos em que animais são mortos por rivais. Então, o ideal é soltar (os animais) o mais próximo possível do lugar de onde foi retirado”, orienta o professor da Unesp.