Tráfico de entorpecentes é o crime que mais cresce desde 2000

Ainda está repercutindo muito na Cidade e prisão de Reginaldo Severino, de 43 anos de idade, conhecido como “Magarefe”, no dia 31 de maio último, feita pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE), de Botucatu. Ele foi apontado como o dono dos 602 quilos de maconha prensada e divididos em 459 tabletes prensados, apreendidos no último dia 29 em uma operação na Rodovia Marechal Rondon, Município de Botucatu, bem próximo da Base Operacional da Polícia Rodoviária.

A droga “encomendada” por Magarefe estava acondicionada em cima da carroceria de um caminhão Ford Cargo placas BUS-6155, de Botucatu, em meio a centenas de fardos de garrafas plásticas de refrigerantes pets. O veículo de carga trazia a droga do Mato Grosso do Sul e a polícia apurou que seria entregue a Magarefe. O caminhão estava sendo conduzido por Luciano de Oliveira Cardoso, de 30 anos de idade e que receberia R$ 15 mil para fazer o transporte do entorpecente.

Embora o montante da droga apreendida tenha sido um das maiores da história, o problema com o tráfico de entorpecentes está longe de ser solucionado. Outras grandes apreensões foram feitas nos últimos anos, principalmente nas rodovias que ligam São Paulo a Mato Grosso do Sul, que faz da região de Botucatu ser um corredor interestadual do tráfico.

Hoje dos 155 presos da Cadeia de Botucatu, pelo menos 90% deles tem relação com o consumo de entorpecentes. E é nos grandes centros como São Paulo, por onde circulam toneladas de drogas que são distribuídas para o interior. Por isso o tráfico de drogas é o crime que mais cresceu nos anos 2000 no Estado.

Pesquisas recentes revelam que, de uma maneira geral, o número de flagrantes feitos pela polícia paulista é hoje quatro vezes maior do que há 12 anos. Foram cinco casos por hora no primeiro trimestre, graças a uma rede de distribuição cada vez mais pulverizada, que atrai pelo lucro fácil jovens e idosos, homens e mulheres, sem distinção.

Especialistas são unânimes em afirmar que há droga ? vontade em circulação. “É evidente que a repressão aumentou, mas também deve ter aumentado a quantidade de drogas. Não se pode dizer que é apenas a ação da polícia a responsável pelo crescimento no número de flagrantes, porque aí poderia ter aumentado o preço. São as duas coisas”, disse o pesquisador em Segurança Guaracy Mingardi, ao jornal Folha.

A queda significativa no preço deixa claro que há mais entorpecente em circulação do que a polícia consegue apreender. Sobra droga nas mãos dos traficantes.

Segundo a polícia, o preço da cocaína caiu pelo menos 30%, tanto no varejo quanto no atacado. O quilo da pasta custava no mercado nacional entre R$ 10 mil e R$ 12 mil no início dos anos 2000. Hoje, está entre R$ 7 mil e R$ 8 mil. A “versão comercial” da droga, aquela que chega ao consumidor final, sai atualmente por algo entre R$ 4 mil e R$ 5 mil o quilo.

Para o coordenador do Observatório de Segurança Pública da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Luís Antonio Francisco de Souza, o mercado de drogas não segue necessariamente a mesma lógica dos demais, porque há um cálculo das perdas – pelo fato de ser algo ilegal. Mesmo assim, o aumento na quantidade de entorpecentes é sensível. “A droga está mais disseminada, porque ficou mais barata e porque os traficantes fazem seu cálculo de risco (sobre quando colocá-la no mercado).”

O comércio da droga se expandiu sem fronteiras por São Paulo. Os flagrantes cresceram em todas as direções do Estado. Na Região Metropolitana, o aumento foi de seis vezes em 12 anos. Na capital, o número de flagrantes se multiplicou por 3,6 no mesmo período. No outro extremo, nos municípios do interior do Estado, o crescimento foi de 3,75 vezes, favorecido sobretudo pela disseminação do crack no campo, principalmente nos canaviais.

Para o diretor do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc), Wagner Giudice, o Brasil não é mais apenas um corredor do tráfico entre países andinos e a Europa, como no passado. O bom momento econômico tem feito parte de a droga parar por aqui, o que se reflete no número de apreensões.