Tiririca é condenado a quatro anos, mas fica em liberdade

Cinco Mulheres e dois homens ligados a diferentes segmentos da sociedade botucatuense. Foi este o Conselho de Sentença (Corpo de Jurados) que atuou no julgamento do réu Gildásio Gomes dos Santos, 47, conhecido como Tiririca, apontado como o assassino de João Batista Calandrim. O júri aconteceu nesta quinta-feira, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Depois dos debates entre o Promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino e o advogado de defesa Osvaldo Guerreiro Sobrinho, com direito a réplica e tréplica entre os debatedores, o Conselho optou pela condenação do réu por homicídio simples (crime cometido buscando o resultado morte, sem qualquer agravante).

Presidiu os trabalhos a juíza Adriana Toyano Fanton Furukawa, que leu a sentença imputando ao réu uma pena de quatro anos de reclusão. Como Tiririca já havia cumprido parte da pena, ele saiu em liberdade para cumprir o restante em regime aberto.

{n}Relembrando o fato{/n}

O crime aconteceu na madrugada do dia 15 de janeiro de 1999, por volta faz 1h30 em um rancho na Colônia de Pescadores que fica na Rodovia Geraldo Pereira de Barros, local conhecido como Ponte do Rio Jaú.

Segundo consta nos autos do processo os dois (réu e vítima) estavam participando de um churrasco e “por motivos banais” acabaram se desentendendo e entrando em luta corporal. Tiririca teria ido ao seu rancho, apanhado sua espingarda cartucheira, marca Rossi, calibre 20 e desferido um tiro contra o peito da vítima, causando-lhe ferimentos que o levaram ? morte. Tiririca foi preso pela Polícia Militar e denunciado pelo Promotor Público, Marcos José de Freitas Corvino.

Depois de ser ouvido, Tiririca ganhou o direito de responder ao processo em liberdade, até seu julgamento e estava solto desde 2000, por determinação do então juiz titular da 1ª Vara da Comarca, Luiz Otávio Duarte Camacho. Com esta decisão do júri ele permanece em liberdade.

{n}Acusado diz que perdeu a paz{/n}

Tiririca aceitou falar com a reportagem, desde que não fosse fotografado. Revelou que desde que o crime foi cometido não teve mais paz e aguardava com ansiedade esse julgamento, mesmo sabendo que corria o risco de sair preso e algemado do júri e ser conduzido direto para a cadeia.

“Olha, se eu pudesse voltar ao tempo jamais teria feito isso de novo. Fiquei pouco tempo na cadeia, mas estou preso na minha consciência desde que o crime foi cometido. Agora com o julgamento quero ficar em paz comigo mesmo”, disse.

Lembra do crime com desalento. “Preciso tentar esquecer isso. Foi bebedeira, foi bobeira. O João (Batista Calandrim) era meu patrão, meu amigo. A gente pescava junto e se dava muito bem. Naquele dia a gente fazia um churrasco na casa dele, mas acabou acontecendo aquilo, porque bebemos demais. Pena que não dá pra voltar atrás”, observou Tiririca, complementando: “Só quero esquecer tudo isso”.

Foto: Valéria Cuter