Testemunha chave depõe no caso do PM acusado de extorsão

Na manhã desta quarta-feira esteve prestando depoimento no 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), de Botucatu a testemunha de acusação, Rafael Pereira da Silva, conhecido como Rafinha, que realizou a filmagem usando uma microcâmara instalada em seu relógio de pulso, do policial militar Nivaldo Barbosa, no dia 13 de abril deste ano, pedindo propina para dar depoimento favorável a pessoas presas por tráfico de entorpecentes. Outras cinco testemunhas de acusação já haviam prestado depoimento.

Rafinha, assistido pelo advogado criminalista Vitor Deleo, reiterou as todas as acusações já feitas contra o PM e alegou que era ameaçado pelo policial. Cabisbaixo, Nivaldo que veio escoltado do Presídio Militar Romão Gomes em São Paulo, ouviu o depoimento sentado ao lado do seu defensor, Evandro Rizzo, que trabalha no caso, juntamente, com a advogada Adriana Bogatti Guimarães Rizzo. Os defensores entraram com um pedido de habeas corpus, que está sendo avaliado pela Justiça.

Com o depoimento de Rafinha encerrou-se a primeira fase do processo do Conselho de Disciplina da PM e agora serão marcadas audiências para que as testemunhas de defesa prestem depoimento. Esse Conselho tem como presidente o comandante da 1ª Companhia, capitão Semensati e mais dois tenentes como membros: Freitas e Camargo.

Segundo Semensati, o Conselho de Disciplina ouve todas as partes envolvidas no processo e ao final elabora um relatório onde consta se o acusado tem condições morais de continuar fazendo parte da Instituição ou não. No caso de uma condenação administrativa no processo ele não poderá mais usar a farda da PM. O policial também responde processo na Vara Criminal.

“Estamos na fase de instrução e já ouvimos as testemunhas de acusação. Já havíamos convocado seis pessoas e só não apareceu o Rafinha, que recebeu uma nova convocação e esteve presente nesta quarta-feira no Batalhão. Agora ouviremos as testemunhas de defesa, antes de fechar o relatório final que será entregue ao comando da PM”, explicou o capitão da PM.

{n}A prisão{/n}

O PM foi preso em flagrante, nas proximidades do Hospital Regional Sorocabana, na Vila dos Lavradores no dia 13 de abril deste ano, negociando seu depoimento a favor de pessoas presas por tráfico de entorpecentes, que seriam ouvidas na 2ª Vara Criminal.

A família, orientada pelos advogados gravou as negociações e entregou ao Ministério Público que, por sua vez, comunicou ao comando do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM-I). O encontro para o pagamento foi marcado em um estabelecimento comercial e após receber parte do que havia combinado (R$ 1.500,00) teve voz de prisão em flagrante decretada, pela equipe da Força Tática, comandada pelo tenente Sayki e conduzido ao presídio militar Romão Gomes, em São Paulo.

Essas pessoas (a quem Nivaldo, supostamente, deporia a favor) foram presas no dia 3 de julho do ano passado, numa megaoperação desencadeada pela Polícia Militar na Rua Ivete Camargo Veiga, nº 315, na Vila Antártica, onde 16 pessoas foram autuadas por tráfico de entorpecentes. Dessas, seis foram indiciadas e presas. As demais foram liberadas.

Na residência foram apreendidas 244 porções de maconha, seis cápsulas de cocaína, nove papelotes de cocaína, quatro pedras de crack, além de R$ 482,00 em notas, R$ 23,40 em moedas e seis aparelhos de telefones celulares. Por participar dessa operação Nivaldo foi homenageado pela PM, no dia 28 de setembro de 2010.

Cinco dos seis réus presos no caso tiveram a liberdade provisória concedida, recentemente (dia 03 de junho de 2011). Somente Danilo José de Camargo é que permanece aguardando decisão ainda preso. Neste processo, só falta ser ouvido o próprio Nivaldo, que deverá prestar depoimento em São Paulo, no Fórum da Barra Funda, através de Carta Precatória.