Tatuagem feita em cadeia indica personalidade do preso

Na criminalidade as tatuagens formam um código onde cada uma representa o delito cometido ou mesmo uma afinidade com uma corrente criminosa, assim como criam identificação entre grupos

 

Hoje em dia as tatuagens são consideradas obras de arte e feitas em estúdio sofisticados com toda segurança, higienização e aparelhagens modernas e pode simbolizar passagens ou fatos importantes na vida das pessoas.  Até concursos internacionais são realizados e o trabalho dos tatuadores, realmente enchem os olhos em razão da perfeição e dos detalhes dos desenhos.

Porém, existem tatuagens estreitamente ligadas à criminalidade. Não é regra, mas no mundo do crime, desenhos infantis e religiosos podem simbolizar crimes. As tatuagens podem servir para que eles se reconheçam dentro dos grupos criminosos. No código do crime representa o delito cometido, afinidade com uma corrente criminosa ou cria identificação entre grupos.

Evidentemente, a tatuagem não é condição para ser bandido. Muito longe disso. Mas existe uma diferença abismal entre a tatuagem feita em estúdios com equipamentos modernos, esterilizados e higienizados,  com a de presídios, onde são usados materiais rústicos e inadequados como pregos, arame, clipes e até ponta de caneta. São coloridas com tinta esferográfica, nanquim, tinta de parede, tinta a óleo, e até mesmo com a tinta de sacolas plásticas.

A tatuagem nas cadeias representa expressão de brutalidade, racismo, castigo, vingança, codificação para comunicar com outros criminosos, traços da personalidade do criminoso, crimes praticados, entre outros. É uma relação de poder, estipulada a partir da tatuagem, que cria uma hierarquia para saber quem manda e quem obedece, inclusive, fora da cadeia.  Por isso, a tatuagem também pode  ajudar a própria polícia a identificar melhor com os criminosos que precisam lidar.

Uma estrela de cinco pontas, por exemplo,  pode significar que o preso é homicida; serpente: traidores e delatores; caveira trespassada por um punhal: assassinos de policiais, normalmente disfarçada entre outros signos; e a cruz com duas velas acesas na base, nas costas, em tamanho grande, indica alta periculosidade.

Já a imagem do diabo caracteriza que o portador é matador e tem prazer de conviver com a morte; borboleta: busca pela liberdade, planos de fuga, ou homossexualidade; carpa: chefes do crime; morte: assassinos de policiais, latrocínio, homicídio; mago: especialistas em sequestro e em resgate de presos; e gnomos e duendes: dependentes químicos. Já a tatuagem de coringa ou palhaço significa que o presidiário comete qualquer tipo de crime e pode ser feita em qualquer parte do corpo.

Um desenho de cruz nas costas pode simbolizar o bandido que mata, se vinga e a cruz com o crânio humano, no meio das costas: lealdade aos colegas de cela. Outra tatuagem muito usada no meio marginal é a forma de um punhal ou de uma faca isolada, onde o detentor desta marca vem a ser um indivíduo corajoso, valente e aceita enfrentar todo tipo de perigo.

Apesar das tatuagens em presídios serem proibidas em razão da apologia ao crime e aos símbolos criminosos, o uso de materiais não esterilizados é uma questão de saúde pública, pois o risco de uma infecção através do uso de objetos contaminados para fazer os desenhos é grande. Os objetos para confeccionar tatuagem têm o mesmo caráter proibitivo de armas ou drogas.