Senhor de 53 anos era explorado como “mula” do tráfico

Um flagrante desencadeado pelos policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE), na manhã desta quarta-feira (09), mostra a realidade das pessoas que sofrem de dependência química e acabam sendo exploradas por traficantes. A operação contou com toda equipe da delegada especializada.

Na Rua José Miguel Salomão, região do Jardim Brasil, foi preso em flagrante um senhor de 53 anos de idade chamado Valdir Ferreira ou “Valdir Louco”, cidadão muito conhecido nos meios policiais pelo seu envolvimento com o tráfico de entorpecentes e já foi preso várias vezes chegando a ter uma condenação de cinco anos e três meses (cumpriu três anos e oito meses) e foi colocado em liberdade.

Os policiais realizavam campana por aquela rua e perceberam quando Ferreira saiu de sua residência com uma sacola plástica na mão. Ele foi abordado e na sacola havia 197 pedras de crack e 68 “parangas” de maconha. Ainda na operação foi apreendido um prato de porcelana com resquícios de crack.

Na delegacia revelou que não vende droga e “apenas” faz a entrega do entorpecente em uma “biqueira” de tráfico a adolescentes que efetuam a venda. “Não trafico e faço trabalho de “olheiro” entregando a droga, mas não vendo”, garantiu o indiciado que se diz dominado pelo vício. “Faço isso para ganhar duas ou três pedras, porque não consigo parar de fumar. Só parei de usar o crack quando fui preso, mas quando sai voltei (a fumar) de novo”, conta o indiciado.

Diz que tem vergonha de ser viciado. “Tenho quatro filhas (entre 11 a 24 anos) que se envergonham de mim por causa do meu vício. Mas preciso me tratar e queria que alguém me ajudasse a parar com isso, pois não tenho mais controle. Fumo quanto tiver. Por isso carrego droga para vender e ficar com um pouco prá mim, mas a polícia acabou me prendendo e agora vou preso de novo. Não desejo isso pra ninguém”, lamentou Ferreira.

O delegado Paulo Buchignani revela que muitas pessoas estão na mesma situação desse cidadão que foi preso. “Muitas pessoas dependentes químicas trabalham para os traficantes para conseguir droga. É uma bola de neve, pois o dependente sempre vai necessitar de doses maiores para satisfazer o vício, aumentando sua dívida”, alerta, lembrando que o trabalho investigativo está direcionado para descobrir quem é o verdadeiro proprietário dessa droga apreendida.

Fotos: Valéria Cuter