Seccional volta a se manifestar sobre a necessidade do CDP

Antônio Soares da Costa Neto, delegado seccional de polícia de Botucatu, responsável por uma área que abrange 11 municípios da região, revela que embora o problema da superlotação na cadeia de Botucatu tenha sido minimizado, com a interdição parcial promovida pela então juíza corregedora Adriana Toyano Fanton Furukawa, no ano passado, a Cadeia Pública de Botucatu não é adequada e volta a falar da necessidade da instalação de um Centro de Detenção Provisória (CDP), por parte do governo do Estado.

Lembra que esse estabelecimento prisional foi construído na década de 70, com dez celas para comportar 60 detentos (32 para alguns), ou seja, seis presos por cada cela. Atualmente, por força da interdição a cadeia não pode abrigar mais do que 120 presos, Antes da medida judicial chegou a ter 244. Hoje, diversos presos de Botucatu estão espalhados por cadeias do interior do estado.

Construção do Centro é defendida pelas maiores autoridades policiais, políticas e jurídicas da cidade. O terreno que foi designado para a construção da obra, fica no Distrito do Lobo, jurisdição de Itatinga, mas ainda não saiu do papel. Alerta que o prédio da cadeia há muito não comporta a demanda da cidade.

Seccional diz que as cadeias de outras cidades da região também não atendem as necessidades. “Com um CDP modelo do Estado que abrigaria até 700 presos, o problema da superlotação nas cadeias das cidades da região que fazem parte da área de comando da secional, seria normalizado. Hoje a demanda de presos da região é de, aproximadamente, 400 presos”, explana.

Destaca que em Botucatu existe o sincronismo entre a Polícia Militar PM), Polícia Civil e Guarda Civil Municipal (GCM). “Não podemos parar de prender, mas também temos que ter cadeias para colocar os presos. Isso não é só um problema da polícia, é um problema de cunho social que tem que ser enfrentado e resolvido por todos nós”, concluiu.

{n}Cadeia é inadequada{/n}

O juiz titular da 1ª Vara Criminal da Comarca e juiz/diretor do Fórum de Botucatu, Josias Martins de Almeida Júnior, entende que a Cadeia Pública, a rigor, não é lugar para ficar presos já condenados (definitivos), e também porque a estrutura não é adequada, nem consegue comportar o número de presos de uma cidade com o porte de Botucatu que tem mais de 120 mil habitantes.

Reconhece que a instalação de um CDP poderia causar certa temeridade na população. “Isso é natural, mas junto com a unidade virão agentes especializados para cuidar dos detentos e os policiais que hoje prestam seus serviços ? cadeia seriam deslocados para o setor investigativo e minimizaria o problema da superlotação”, observou o magistrado titular da 1ª Vara.

Enfoca que uma unidade de CDP, dotada com normas de segurança e tecnologia é diferente da situação da cadeia. “Não quero dizer que isso eliminaria problemas como rebeliões, mas, seguramente, a fiscalização e o controle disciplinar seriam feitos de maneira mais adequada e os presos monitorados. Além disso, a ressocialização seria mais eficaz”, frisa.