Seccional diz que o CDP é fundamental na região

O delegado seccional de polícia de Botucatu, Antônio Soares da Costa Neto (foto), revela que embora o problema da superlotação na cadeia de Botucatu tenha sido minimizado, com transferência de presos, o problema só será solucionado com a instalação de um CDP – Centro de Detenção Provisória, para alojar presos que ainda não foram submetidos a julgamento.

A cadeia de Botucatu ainda continua com o dobro de sua capacidade e chegou a ter 244 presos Hoje esse número é de 127 presos. Esse estabelecimento prisional foi construído na década de 70, com dez celas para comportar 60 detentos (32 para alguns), ou seja, seis presos por cada cela de 80 (oitenta) metros quadrados.

O projeto da construção do Centro é impopular, mas hoje sua construção é defendida pelas maiores autoridades policiais, políticas e jurídicas da cidade. O terreno que foi designado para a construção da obra, fica no Distrito do Lobo, jurisdição de Itatinga, mas os moradores da cidade, relutam em aceitar o CDP no município.

Até um abaixo assinado de moradores, liderado pelo presidente da Câmara Municipal daquela cidade Júlio Fogaça, foi feito para evitar que a construção seja iniciada. “Acho que um CDP é importante, mas não podemos aceitar que ele seja enfiado guela abaixo na cidade de Itatinga”, argumenta Fogaça. “Sequer fomos consultados para discutir”, acrescenta.

Para o delegado seccional, o CDP pode ser impopular, mas é fundamental para a região. O prédio da cadeia há muito não comporta a demanda da cidade. “As cadeias das outras cidades da região também não atendem as necessidades. Com um CDP modelo, que abrigaria até 700 presos, o problema da superlotação nas cadeias das cidades da região que fazem parte da área de comando da secional, seria normalizado. Hoje a demanda de presos da região é de 400 presos”, coloca o delegado seccional.

Ele destaca que se a cadeia está superlotada, muito se deve a atuação da polícia investigativa que vem sendo eficaz, no que tange a esclarecimentos de crimes de autoria desconhecida. “Por isso seria interessante contarmos com um CDP, onde ficariam presos aguardando julgamento. Os julgados e condenados seriam encaminhados a penitenciárias para cumprir a pena determinada pela Justiça”, diz Soares Neto.

Para finalizar o seccional entende que as autoridades deveriam se reunir para definir essa situação o quanto antes. “É necessário que uma definição seja dada. Não adianta mais a gente ficar protelando a construção do CDP. Não tem outra saída. A região precisa desse Centro. É só dar uma olhada na situação das cadeias das cidades da região. Estão todas saturadas”, alertou o delegado seccional.

“Nós conseguimos remanejar presos e manter a população carcerária de Botucatu em torno de 120 detentos. Mas isso pode mudar e teremos que enfrentar uma situação muito complicada. Não podemos parar de prender, mas também temos que ter cadeias para colocar os presos. Isso não é só um problema da polícia, é um problema de cunho social que tem que ser enfrentado e resolvido por todos nós”, concluiu.

Foto: Fernando Ribeiro