Réu que matou desafeto a facadas é absolvido

O Júri Popular composto por cinco homens e duas mulheres da sociedade botucatuense optaram em absolver o réu Severino José Rodrigues, hoje com 54 anos de idade, que foi julgado nesta quinta-feira (27) por crime de homicídio. O crime foi denunciado pela Promotoria Pública da Comarca de Botucatu e o julgamento aconteceu no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subsecção de Botucatu, sendo os trabalhos presididos pelo juiz substituto da 2ª Vara, Edson Lopes Filho, tendo como escrevente Eliane Camarinho Pilan.

O acusado foi pronunciado como autor do assassinato cometido contra Hélio Jesus de Carvalho, (na ocasião com 42 anos) ocorrido no dia 31 de agosto de 1999, na Rua Augusto Cesar, nº 175, no Município de Pardinho. Após o debate entre a acusação e defesa os jurados entenderam que Severino agiu em legítima defesa.

Tremendo muito, o réu ouviu o juiz proferir e sentença revelando sua absolvição e chorou ao ser considerado inocente. “Acabou tudo. Tinha fé que em Deus que iria ser absolvido, pois carrego esse peso há mais de 12 anos. Só fiz aquilo (homicídio) por que fui obrigado, pois ele queria me matar. Só defendi a minha vida e a vida de uma mulher que morava no quintal de minha casa. Agora já posso morrer em paz”, disse Severino.

Para o advogado criminalista Roberto Fernando Bicudo que defendeu o réu em plenário utilizado a tese de legítima defesa, os jurados agiram com muita lucidez ao avaliar o caso. “Desde que tomei conhecimento do processo tive a convicção de que poderia absolver o réu, já que ele somente agiu para defender sua vida. Os jurados entenderam isso e optaram pela absolvição”, comemorou Bicudo.

Representando o Ministério Público esteve trabalhando em plenário o promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino. “O júri é soberano e entendeu que foi um ato de legítima defesa. Nada tenho a questionar”, disse o promotor. Também atuaram em plenário os servidores forenses Rogério Costa de Freitas, Sandra Cristina dos Santos, Carlos Alberto Torres e Matheus da Silva Bovolenta. O policial militar Ramalho fez a segurança.

{n}O crime {/n}

Descreve a denúncia que Severino Rodrigues mantinha um relacionamento amoroso com uma mulher chamada Maria Aparecida, que residia em um cômodo nos fundos de sua casa e, no passado, já havia sido amásia de Hélio Carvalho.

No dia dos fatos Hélio teria ido ? casa de Severino para conversar com Maria Aparecida na tentativa de reatar o relacionamento. Entretanto, a mulher não quis atendê-lo e a recusa acabou gerando uma discussão acalorada entre os dois homens, que entraram em luta corporal. Severino, então, teria se apoderado de uma faca (ou facão) e desferido golpes contra o desafeto causando-lhe ferimentos que o levaram ? morte.

Depois do crime Severino ficou preso por 90 dias e, através de um habeas corpus conseguiu ser colocado em liberdade. “Esperei muitos por este julgamento e estava com medo de ser condenado. Se fosse para uma prisão, não sei o que seria de mim. Quero agradecer aos jurados que acreditaram na minha inocência, ao doutor juiz, ao senhor promotor que fez o papel dele e em especial ao doutor Bicudo que me defendeu e conseguiu minha absolvição”, disse Severino.

Fotos: Valéria Cuter