Réu preso quer buscar sua absolvição em júri popular

Ato de legítima defesa. Deverá ser essa tese a ser defendida pelo advogado Edson Coneglian no julgamento do réu Daniel Augusto Camargo, vulgo Daniel Boiadeiro, de 31 anos de idade, que é pescador e foi denunciado pela Promotoria Pública como o autor de uma tentativa de homicídio cometida contra Anderson Fernando Galdino de Araújo, de 26 anos. O julgamento acontece nesta quinta-feira (28), ? partir das 9 horas, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subsecção de Botucatu e será aberto para o público interessado.

A juíza Adriana Toyano Fanton Furukawa estará presidindo os trabalhos do júri, tendo ao seu lado a escrevente Eliane Camarinho Pilan. Na acusação, o promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino, que também assinou a denúncia contra Daniel Boiadeiro. Sete pessoas da sociedade botucatuense entre 25 convocadas terão a responsabilidade de determinar o destino do réu. Nove testemunhas foram convocadas para serem ouvidas.

O crime aconteceu na madrugada do dia 12 de setembro de 2009, na Avenida Conde de Serra Negra, no Distrito de Vitoriana, quando nas proximidades de um ponto de ônibus, Daniel Boiadeiro disparou três tiros contra Araújo, atingindo sua cabeça, peito e perna esquerda. A desavença entre os dois era antiga e Araújo já teria tentado matar Boiadeiro com um tiro, meses antes.

Consta na denúncia que nesse dia eles estavam com um grupo de rapazes, todos de Vitoriana, em um baile de pagode na Cidade de São Manuel, onde houve uma briga. Ao retornar para Vitoriana, Daniel Boiadeiro se apoderou de um revólver e disparou os tiros contra o desafeto. “Agindo assim o denunciado deu início ? execução de um crime de homicídio que só não se confirmou por circunstâncias alheias ? sua vontade”, relata a denúncia.
Ferida gravemente a vítima foi socorrida ao Pronto Socorro (PS) da Unesp, onde passou por cirurgia e sobreviveu, após um período de recuperação. Porém, os ferimentos deixaram seqüelas e Araújo ficou com debilidade no olfato e degustação.

Depois do crime Daniel Boiadeiro fugiu e foi preso 15 dias depois pelos policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), mostrando o local onde havia jogado a arma do crime. Atualmente encontra-se no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Americana, aguardando seu julgamento e tem a perspectiva de ser absolvido. A previsão de pena é de 4 a 8 anos de reclusão. Se pegar a pena mínima (4 anos) poderá sair do julgamento já em liberdade, já que está preso há quase dois 2 anos e teria direito aos benefícios que a lei lhe faculta.

Segundo o advogado defensor, várias testemunhas que presenciaram o entrevero entre o réu e a vítima foram convocadas para serem ouvidas. Garante que o réu estava tentando se defender. Também deverão estar presentes a vítima e outra testemunha que mora em frente ? cena do crime e teria presenciado tudo.