Réu acusado de homicídio qualificado é absolvido

Fotos: Valéria Cuter

“Esse é o dia mais feliz da minha vida”. Foi o que disse o lavrador Lourivaldo Pereira dos Santos, de 42 anos, que foi julgado por crime de homicídio qualificado nesta quinta-feira (19) e absolvido pelo Corpo de Jurados composto por quatro homens e três mulheres. O julgamento que aconteceu no auditório da Ordem dos Advogados de Botucatu (OAB) – Subsecção de Botucatu, foi presidido pelo juiz Marcus Vinícius Bachiega,

Ele diz que vinha sofrendo com isso desde 1997 e só cometeu o assassinato para salvar sua própria vida. “Só Deus sabe o que passei, porque nunca havia entrado numa delegacia. Depois daquilo fui preso duas vezes, mas consegui o benefício para responder em liberdade, mas não estava tranqüilo. Atualmente, estou na Cidade de Pontal trabalhando como “bóia-fria” na lavoura de cana e vim somente para meu julgamento”, disse Lourivaldo.

Réu foi denunciado pela Promotoria Pública como autor do assassinato de Reginaldo de Paula, processo nº 01/11, crime ocorrido dia 2 de março de 1997, por volta das 21 horas, na Avenida Dois, quadra 8, em frente ao lote 15, região do Jardim Santa Elisa. Atuou na acusação o promotor de Justiça Marcos José de Freitas Corvino. Os jurados acataram a tese de legítima defesa do advogado criminalista Roberto Fernando Bicudo.

Um momento tenso do julgamento aconteceu quando uma das testemunhas (ex-enteada do acusado) prestava depoimento sendo inquirida pelo promotor de Justiça. O defensor aparteou e ambos promoveram uma acalorada discussão. Ao final eles se entenderam e se desculparam.

{n}O crime {/n}

Na ocasião dos fatos, Reginaldo teria se armado de uma faca e ido até a casa de Lourivaldo, com o braço machucado, para tirar satisfação sobre uma agressão que teria sofrido no bairro (por culpa de Lourivaldo). Após a discussão, o réu teria se apoderado da faca e desferido golpes contra seu oponente causando-lhes lesões que o levaram ? morte. “Fui designado para este júri pela assistência gratuita da OAB e não acompanhei o processo desde o seu início, mas para mim estava claro que o Lourivaldo apenas se defendeu. Foi a vítima que foi até sua casa armada com uma faca dizendo que ia matá-lo”, comentou Bicudo. “Se não fosse assim seria a vítima que estaria hoje aqui no banco dos réus sendo julgado por crime de homicídio premeditado”, emendou o advogado criminalista.