Repúblicas de estudantes incomodam o Paraíso

Embora exista um trabalho sendo realizado pela Polícia Civil contra as Repúblicas de Estudantes, os moradores da região do Jardim Paraíso ainda continuam sendo as principais vítimas. A mais recente reclamação veio de moradores da Rua Antônio Cardoso do Amaral daquele bairro, que estão fazendo um abaixo assinado para que esta situação seja contornada uma vez que os estudantes ficam até altas horas da madrugada fazendo algazarra e ingerindo bebida alcoólica. Um dos moradores que encabeçam o movimento contra esta república apresentou queixa ao Plantão Permanente da Polícia Civil na noite desta terça-feira e o caso será investigado pelos policiais do 2º Distrito Policial (DP).

O delegado Marcos Mores (foto), titular do 2º DP, vem fazendo um levantamento de todas as repúblicas de estudantes que estão instaladas na sua área de comando, abrangendo a Vila Antártica, Vila dos Lavradores, Jardim Paraíso, Vila Pinheiro, entre outros bairros que ficam naquela região alta da cidade. Segundo as estatísticas, 80% das repúblicas da cidade estão instaladas na área do 2º DP.

O delegado relata que já foram enquadradas mais de 20 repúblicas por perturbação de sossego que é uma contravenção penal. Em entrevista ao Acontece, Mores havia adiantado que para a polícia poder agir é necessário que as pessoas que se sentirem prejudicadas façam a denúncia em grupo.

“Quando vem uma pessoa na delegacia reclamar de perturbação de sossego orientamos para que se una com outros moradores que queiram fazer a mesma queixa. No início encontrei um pouco de resistência dos moradores que além de não querer procurar seu vizinho, também não queriam se identificar. Hoje esse conceito mudou e os moradores estão se unindo em torno de um bem comum, fazendo a denúncia em grupo”, conta Mores, que deverá receber o abaixo assinado dos moradores nesta quarta-feira.

Com o trabalho conjunto entre polícia e comunidade, Mores ressalta foi possível a polícia identificar as repúblicas que perturbam o sossego público e cobrar explicações dos estudantes, que foram convocados para prestar depoimento. “Na delegacia eles são alertados que se continuar a perturbar os vizinhos serão responsabilizados criminalmente e a Faculdade de Medicina será comunicada, mas isso não os incomoda muito. O temor dos estudantes é quando alertamos que, se houver reincidências, os pais serão intimados a comparecer na delegacia. Isso causa temor entre eles. A última coisa que querem é, por culpa deles, ver os pais numa delegacia”, revela o delegado do 2º DP.

Outro dado revelado pelo delegado é que a perturbação do sossego público não vale só para o horário noturno. “A lei é clara e não especifica horário, tanto faz se for três da tarde, como três da manhã. O crime é o mesmo. Mas nosso conselho é que as pessoas que se sentirem prejudicadas com o barulho alheio devem acionar os vizinhos que também passam pelo mesmo problema e procurar a delegacia para que possamos tomar as providências que forem necessárias”, orientou Mores.

Esse mesmo delegado que hoje responde pelo 2º DP, coordenou um trabalho investigativo que culminou com a identificação de diversos grupos de pichadores que agiam em diferentes regiões da cidade. Esses grupos foram cadastrados e hoje o índice de pichadores que agiam na cidade caiu drasticamente. Agora o foco do delegado está voltado para as repúblicas de estudantes da cidade.

Foto: Fernando Ribeiro