Rapaz que foi preso acusado de matar o pai foi libertado

João Paulo Gobbo, de 28 anos de idade, depois de passar sete meses preso acusado de ter participado do latrocínio (roubo seguido de morte) do próprio pai, em setembro do ano passado, foi inocentado do crime e colocado em liberdade no final de semana. A vítima foi o sitiante Luiz Carlos Gobbo, que na ocasião, tinha 50 anos de idade. O sitiante foi assassinado na mangueira do sítio Recanto Feliz, zona rural de Itatinga, com um tiro na nuca. Ele havia sido rendido por dois elementos quando estava realizando o trabalho de ordenha das vacas.

A denúncia que levou João Gobbo ? prisão havia sido feita ? polícia pela sua própria mãe (Marinda) que narrou ao delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Celso Olindo que naquele dia ela escutou gritos vindos da mangueira e quando saiu para ver o que estava acontecendo ouviu um tiro e percebeu dois elementos, um deles encapuzado (o que seria o filho), saindo, apressadamente, do local. O que estava com o rosto descoberto a rendeu e a arrastou pelos cabelos até o interior da casa, dando-lhe coronhadas na cabeça com o revólver. Depois do crime consumado, os marginais apanharam duas bolsas contendo R$ 18 mil em dinheiro e vários cheques e fugiram em uma motocicleta.

“Depois da narrativa da mãe que apontou o filho como co-autor do crime, nós pedimos a sua prisão e o juiz de Direito, José Antonio Tedeschi, concedeu. Gobbo foi localizado na casa de sua namorada na Rua General Telles, no Bairro do Lavapés em Botucatu. Neste local encontramos uma blusa de lã listrada muito semelhante a que o assaltante encapuzado estava usando ao render a mulher. Ele negou o crime, mas todos os indícios estavam contra ele”, lembrou o delegado Celso Olindo. “O depoimento da mãe, que presenciou o crime, foi fundamental para a prisão do filho. Chegou a afirmar que a vítima já rendida pelo assaltante teria gritado: ”Para filho, para!”, antes de ser executado com o tiro na cabeça, ? queima-roupa”, emendou o delegado.

Outro detalhe citado em depoimento pela mulher ao delegado foi que durante o tempo em que foi mantida refém, um dos assaltantes (que seria o filho) procurou manter-se afastado, evitando ficar frente a frente com ela e quando falava disfarçava a voz colocando a mão na boca e sabia, exatamente, onde estava o dinheiro.

Esse caso teve reviravolta total no dia 19 do mês passado, quando outra versão da história foi dada por testemunhas revelando que, na verdade, quem teria atirado contra o sitiante para cometer o roubo foi um elemento chamado Wesley Neres Pereira, o Bocão, de 25 anos, que foi preso em fevereiro deste ano por flagrante de tráfico de entorpecentes, juntamente com sua mulher Jaine Aparecida da Cruz, de 20 anos e Milton de Oliveira Júnior, de 21 anos. A ação foi deflagrada pelos policiais militares Nazareth e Inoue, na região central da Cidade de Itatinga.

Wesley Bocão ficou na Cadeia Pública de Botucatu onde também estava João Carlos Gobbo e no horário de visitas esse assunto (do latrocínio) veio ? tona e Bocão teria assumido ter sido ele o autor do disparo que matou o sitiante. Ele foi tirado de sua cela e levado para a DIG onde, em depoimento ao delegado Celso Olindo, confessou o latrocínio e teria agido com um elemento de São Paulo conhecido como “Joni Bravo”.

No dia em que se apresentou ? DIG, acompanhado do seu advogado, João Gobbo concedeu uma entrevista ao {n}Jornal Acontece Botucatu{/n} e alegou que é evangélico, estava em tratamento da dependência química e negou ter qualquer envolvimento no crime, afirmando que no dia dos fatos estava na casa de sua namorada de nome Milaine. Ela confirmou a versão do namorado. O advogado do rapaz estuda entrar com uma ação contra o estado por mantê-lo preso mesmo sendo inocente.