Presos tentam fuga da cadeia usando cela interditada

A carceragem da Cadeia Pública de Botucatu neutralizou na tarde desta terça-feira, uma tentativa de fuga, que estava ocorrendo na cela de número 5, a última do corredor A. O curioso é que esta cela está interditada desde a primeira quinzena de dezembro do ano passado, quando os presos fizeram um buraco no teto e já haviam transposto a laje e já vislumbravam o telhado para poder ganhar a rua. A fuga foi controlada, mas a laje ficou muito danificada e mesmo sendo reparada a cela está com várias infiltrações de água e permanece vazia e trancada.

E foi, exatamente, nesta cela que estava interditada que os detentos pretendiam entrar para tentar fugir e já haviam serrado dois ferros (conhecidos no dialeto carcerário como pirulitos). A carceragem trabalha com duas hipóteses: eles queriam entrar na cela para tentar cavar um túnel aproveitando a infiltração ou ficarem escondidos e render os policiais que fazem a ronda diária.

“Nós temos uma preocupação muito grande com a vigilância e a norma de todos os dias é fazer inspeção nas grades, verificando sua condição. Ontem (terça-feira) ao fazer a operação que chamamos de bater grades, os carcereiros perceberam que dois ferros estavam soltos. Embora esta cela permaneça trancada, todo dia ela é aberta para uma inspeção. Possivelmente, os presos no horário da visita, entrariam na cela e aguardariam a inspeção para render os policiais e tentar a fuga”, deduziu o diretor da cadeia de Botucatu, delegado Geraldo Franco Pires.

Para serrar as grades da cela os presos “fabricaram” uma serra utilizando peças de um aparelho de telefone celular. “Eles permanecem o dia inteiro ociosos, sempre procurando uma maneira de buscar a liberdade e improvisam ferramentas. Nesse caso, serraram a grade no horário de visita, onde os presos circulam pelo pátio ou ficam no corredor que dá acesso ? s celas. Por isso, não podemos descuidar e estar sempre atentos”, frisou Franco Pires.

Outro detalhe destacado pelo delegado diretor, que está há quatro anos nessa função, dividindo seu expediente de trabalho entre a cadeia de Botucatu e a delegacia de Pratânia, é que 90% dos presos não são de Botucatu. “Hoje (quarta-feira, ? s 14 horas), temos 97 presos espalhados em nove celas sem contar o X-5 que vai permanecer interditado e as tentativas de fuga vão continuar acontecendo. Temos que estar preparados para evitar que isso aconteça”, observou o delegado, não descartando a possibilidade das demais celas passarem por uma “Operação Pente Fino”, nas próximas horas, para apreender objetos que entram no pátio trazidos pelas visitas.

{n}Relembrando a tentativa de fuga em dezembro{/n}

Na primeira quinzena de dezembro do ano passado, os carcereiros perceberam uma movimentação estranha na cela número 5 (ou X-5) e imediatamente acionaram o diretor da cadeia. Com a retirada dos presos foi constatado de que eles haviam feito um buraco no teto da cela e já haviam transposto a laje e já vislumbravam o telhado para poder ganhar a rua. E não foi só isso. Na cela 7 (X-7), também foi detectado um buraco na parede, oculto por fotos.

Na revista dessas duas celas, foram encontrados quatro estiletes artesanais, quatro talhadeiras artesanais, uma pedra de concreto, duas lâminas de metal e uma lâmina de serra. Os presos foram remanejados para os demais xadrezes. No dia seguinte, houve a transferência de 15 detentos de Botucatu a outras cadeias de região para que os reparos causados nas duas celas, com mais essa tentativa de fuga, fossem sanados.

Vale lembrar que a cadeia de Botucatu está parcialmente interditada pela Justiça, que acatou um pedido feito pela juíza corregedora, Adriana Toyano Fanton Furukawa e não pode abrigar mais do que 120 presos, em suas dez celas, média de 12 presos por cada xadrez. Antes de sua interdição parcial, a cadeia de Botucatu chegou a contar com 264 presos, gerando a superlotação.

{n}A espera do CDP{/n}

A cada tentativa de fuga vem ? tona a necessidade de Botucatu contar com um Centro de Detenção Provisória (CDP). Segundo o delegado seccional de polícia, Antônio Soares da Costa Neto, com essa unidade que tem capacidade para abrigar até 700 detentos, poder-se-ia minimizar a situação da superlotação. Lembra que a demanda da região que comanda (11 municípios) é de 500 presos.

“Enquanto o CDP não for construído as cadeias continuarão lotadas e os presos sempre vão buscar alternativas para fugir. Temos sempre que estar preparados para esta situação, pois essa não foi a primeira tentativa de fuga e temos a convicção de que não será a última”, colocou Soares Neto. “O que não pode é a polícia parar de prender criminosos, por falta de vagas em cadeias”, acrescentou.

Fotos: Jornal Acontece Botucatu