Preso o autor intelectual da explosão da DISE de Botucatu

Fotos: Neide Carlos – Jornal da Cidade / divulgação

João Vitor de Souza Urias, vulgo “JV” ou “Magrão”, que estava foragido desde 2010, e havia fugido algemado (pés e mão) do Fórum de Bauru em fevereiro de 2009, foi recapturado na cidade de Campo Grande (MS) e transferido para Bauru. Esse cidadão que, supostamente, pertence a uma facção criminosa é apontado como o autor intelectual da explosão da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Botucatu, executada pela quadrilha que chefiava em novembro de 2008. A unidade policial que estava instalada na Rua Rodrigo do Lago, na Vila Padovan, foi totalmente destruída.

Na fuga do Fórum de Bauru ele havia participado de uma audiência na 3ª Vara Criminal e após sair da sala do magistrado, pediu para usar o banheiro. Entrou e do lado de fora ficaram um agente penitenciário e dois PMs. Porém o detento conseguiu se soltar das algemas, pular a janela do banheiro e fugir. A evasão só foi constatada depois que os policiais estranharam a demora do detento no banheiro.

Depois de um trabalho investigativo comandado pelo delegado da DISE de Bauru, Ricardo Dias, a Polícia Civil detectou que o procurado estaria na cidade de Campo Grande. Uma equipe de investigadores deslocou-se para aquela Cidade e efetuou a prisão.

Os policiais fizeram campana em frente a residência do acusado e quando este chegava do trabalho foi cercado, recebendo voz de prisão, não tendo tempo de esboçar nenhuma reação. Ele nega participação no ataque ? DISE de Botucatu, em 2008. Passou por exame médico e foi recolhido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru e nas próximas horas deverá ser transferido a uma das unidades prisionais do Estado. Ele tem condenação que chega a 34 anos de reclusão, uma das maiores penas já aplicadas a sentenciados por tráfico.

Apurou a Polícia Civil que depois de viver um passado de muita fartura e ostentação quando era considerado um dos maiores traficantes da região, Urias levava uma vida simples no Mato Grosso do Sul. Mudou-se para Campo Grande em 2010 e morava em uma casa em um bairro popular com a esposa e o filho de 1 ano e 9 meses. Era dono de uma pequena empreiteira, que contava com poucos funcionários para construir e reformar imóveis. Aparentemente, não estava mais envolvido com atividades ilícitas.

A explosão da DISE de Botucatu aconteceu no dia 10 de novembro quando os criminosos invadiram o prédio. Eles furtaram um cofre com mais de 100 kg de drogas (maconha, cocaína, crack e ecstasy), arrombaram outro cofre onde eram guardadas armas e queimaram inquéritos e documentos. O ataque ocorreu durante a madrugada e durou pouco mais de 15 minutos.

O veículo utilizado (caminhonete S-10 cabine dupla) tomou a Rua Campos Salles – que dá acesso ? Unesp – na contramão e foi filmado por um sistema de vídeo de uma empresa. Esse veículo foi abandonado pelos criminosos em um canavial em Santa Maria da Serra, na região de Botucatu. Na época, a ação foi creditada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ganhou manchetes nacionais como represália ? ação da DISE que vinha promovendo inúmeras apreensões de drogas.