Policial acusado de extorsão acaba expulso da PM

O Diário Oficial do Estado desta semana confirmou. O policial Nivaldo Barbosa, que prestava serviços no 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), de Botucatu, não pertence mais ao quadro da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O PM havia sido preso em flagrante, nas proximidades do Hospital Regional Sorocabana, na Vila dos Lavradores no dia 13 de abril do ano passado, acusado de crime de extorsão, após ser filmado “negociando” seu depoimento a favor de pessoas presas por tráfico de entorpecentes, que seriam ouvidas na 2ª Vara Criminal.

A testemunha de acusação foi Rafael Pereira da Silva, o Rafinha, conhecido nos meios policiais, que realizou a filmagem usando uma microcâmara instalada em seu relógio de pulso, orientado pelos advogados Vitor Deleo e Cecílio Everaldo. As gravações foram entregues ao Ministério Público que, por sua vez, comunicou ao comando do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM-I).

Na gravação o acusado pede propina para dar depoimento favorável a pessoas presas por tráfico de entorpecentes. Essas pessoas (a quem Nivaldo, supostamente, deporia a favor) foram presas no dia 3 de julho de 2010, numa megaoperação desencadeada pela Polícia Militar na Rua Ivete Camargo Veiga, na Vila Antártica, onde 16 pessoas foram autuadas por tráfico de entorpecentes.

Nessa residência foram apreendidas 244 porções de maconha, seis cápsulas de cocaína, nove papelotes de cocaína, quatro pedras de crack, além de R$ 482,00 em notas, R$ 23,40 em moedas e seis aparelhos de telefones celulares. Por participar dessa operação Nivaldo foi homenageado pela PM, no dia 28 de setembro de 2010.

Defendido pelos advogados Adriana Bogatti Guimarães Rizzo e Evandro Rizzo, o policial militar relatou que foi tudo uma armação (de Rafinha) contra ele. Disse que esteve com Rafinha e queria ganhar sua confiança, pois sua intenção era fazer uma grande apreensão de armas ilícitas que estariam em poder do seu acusador.

Na primeira fase do processo Nivaldo, que ficou por dez meses no Presídio Militar Romão Gomes em São Paulo até conseguir o benefício para responder em liberdade, foi julgado pelo Conselho de Disciplina do 12º BPM-I após participar de audiências onde foram ouvidos os dois principais envolvidos no caso, assim como testemunhas de acusação e defesa.

Ao final, o Conselho elaborou um relatório e encaminhou a Corregedoria da PM que entendeu que as acusações eram graves e o acusado não poderia mais fazer parte da instituição. Embora a fase administrativa tenha sido concluída, o policial também responde pela mesma acusação na área criminal que ainda não tem um parecer conclusivo.

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