Polícia fecha o cerco contra “usurpadores” de vagas

É bastante comum se perceber que nas principais ruas de Botucatu, principalmente a Amando de Barros (foto), as vagas reservadas no transito estão sendo usurpadas. O grande problema é que as ruas da cidade já não comportam o número de veículos que, atualmente, circulam pela cidade. Em Botucatu, estatisticamente, existe um carro para cada dois habitantes.

Nessa linha de raciocínio, se a população de Botucatu está estimada em 120 mil habitantes, podemos dizer que temos 60 mil carros circulando pela cidade e isso gera uma série de conflitos. E, por conta desse número excessivo de veículos circulando pela cidade, os acidentes de transito lideram o ranking das ocorrências policiais e são registrados, em média, pelo menos sete acidentes todos os dias.

Com esse número de veículos, as vagas para estacionamento ficam escassas e algumas irregularidades acabam sendo cometidas. Por exemplo, é muito comum se perceber veículos estacionados em vagas para deficientes físicos e idosos, assim como motocicletas estacionadas em vagas para veículos de passeio.

Outro dado interessante é que existem proprietários que estacionam na Rua Amando de Barros pela manhã e só retiram o carro no final da tarde. Embora, nesses casos, esses carros estejam devidamente estacionados, ou seja, não ocupam vagas que são de deficientes ou idosos, o que se questiona é o tempo em que ficam parados, ceifando um direito que, teoricamente, seria da coletividade. Mas, trocando o talão de zona azul regularmente, ele pode permanecer no local sem ser multado.

Ciente desse problema nas principais ruas da cidade, o comandante da 1ª Companhia de Policia Militar (PM), capitão José Semensati Júnior, adianta que a fiscalização está sendo rígida para coibir esse tipo de abusos, com aplicação de multas e até recolhimento de veículos que estejam em situação irregular.

“Sabemos que o problema existe e estamos atentos. Em média, fazemos 70 autuações todos os meses de condutores que estacionam em vagas reservadas. Por isso, alertamos para que o deficiente ou o idoso prendam suas credenciais em local visível dos carros para facilitar a identificação. Quem não tiver essa credencial poderá retirar na secretaria do Departamento de Engenharia e Tráfego (DET), da Prefeitura Municipal”, ensina Semensati.

O oficial da PM lembra que se o deficiente ou o idoso não tiver essa identificação no carro, fica difícil saber se quem ocupa a vaga reservada tem direito ou não. “Na dúvida, o policial é obrigado a fazer a autuação. Se o carro autuado for de um deficiente ou de um idoso, ele tem que recorrer dessa multa”, orienta o capitão.

Ele defende que a forma mais eficaz de controlar essa situação é a conscientização popular. “Entendemos que o condutor deve ter responsabilidade suficiente para entender que as vagas reservadas só podem ser usadas por quem tiver direito a elas. É uma questão de coerência, de cidadania”, concluiu o capitão da PM.

Fotos: Valéria Cuter