PM divulga dados sobre incidência de crimes de estupro

Na tarde desta quinta-feira (28) o comandante interino do 12º Batalhão de Polícia Militar Interior (BPM-I), de Botucatu, major Jorge Duarte Miguel, juntamente com o major Marcelo Oliveira e os capitães Kátia Regina Christófalo e Maurício Raimundo divulgaram os dados técnicos de um levantamento feito entre os meses de janeiro a junho deste ano com relação aos crimes de estupro. Também esteve presente a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Simone Alves Firmino.

Numa explanação geral o capitão Maurício Raimundo apresentou diversos gráficos apontando que durante o período da pesquisa, a PM de Botucatu registrou a 16 casos de estupro e as maiores vítimas foram crianças com idade até 12 anos e os crimes, em sua maioria, cometidos por pessoas entre 20 a 40 anos e acima dos 70 anos. Outro dado interessante desse levantamento é que a maioria dos crimes foram praticados por parentes próximos das vítimas, como pais, irmão, tios, padrastos ou avós.

“Então, podemos dizer que o perigo vem de casa e quando uma criança é molestada sexualmente muda seu comportamento habitual. Por isso é necessário que os pais fiquem atentos se perceberem mudanças de comportamento nos filhos, devem dialogar muito e não hesitar em procurar a polícia se tiver suspeita de que está havendo algo errado”, ensina o capitão Raimundo.

Ele revela que na rua a mulher também deve tomar certos cuidados para evitar ser vítima de ataque. Entre outras coisas, cita que é perigoso evitar ficar em locais desertos próximos a terrenos baldios, casas abandonadas ou prédios em construção, nem se distrair em pontos de ônibus, telefones públicos ou aceitar carona de desconhecidos.

“Sempre que achar que uma pessoa suspeita por perto, é recomendável que a pessoa entre em alguma casa ou estabelecimento comercial para acionar a polícia. Namorar no carro também pode ser perigoso e se marcar encontro com desconhecidos pela internet o ideal é procurar um local público para o contato. Tudo isso são dicas para evitar o assédio de maníacos que procuram se aproveitar das oportunidades que têm para atacar”, alerta.

A delegada da DDM, Simone Firmino, salientou que houve um aumento na incidência de crime de estupro em razão de haver mudança na lei. Explica que antes, para que o estupro fosse caracterizado, era necessário que houvesse a conjunção carnal. “Hoje, se pessoa molesta alguém passando a mão em seu suas partes íntimas, já irá responder por crime de estupro. Antes dessa nova lei registrávamos, em média, um caso por mês. Hoje esse número chega a três casos por mês”, compara a delegada.

Porém, a delegada faz uma revelação preocupante. “Infelizmente, apenas 30% dos crimes de estupro chegam ao conhecimento da polícia. A mulher não pode se omitir e deve denunciar quando for vítima ou presenciar um crime desta natureza, que é hediondo, mesmo que tenha se livrado do agressor”, orienta Simone Firmino. “Se o crime for consumado a vítima deve exigir que seja feito o exame de corpo de delito e hoje temos na Unesp um departamento que atende pessoas que são vítimas de estupro. O que não podemos aceitar é o criminoso ficar impune, por omissão da vítima”, complementou a delegada.

Fotos: Valéria Cuter