Pequenos agricultores perdem toda plantação após incêndio na Vila Antártica; moradores reclamam dos Bombeiros

 

Fotos enviada pelos moradores
Fotos enviada pelos moradores

A cidade de Botucatu está passando por um severo período de estiagem. Com isso aumenta o número de ocorrência de incêndio em mato, na grande maioria são ações criminosas.

Na última terça-feira, dia 12, mais de 100 ligações foram feitas para o 193 dos Bombeiros. Um dos casos mais dramáticos ocorreu em uma chácara na Vila Antártica, mais precisamente na Rua Antônio Fumis, em um local próximo à linha do trem. Por lá pequenos produtores perderem literalmente toda a plantação em virtude do fogo colocado de forma criminosa.

Nada restou dos 2 mil pés de café
Nada restou dos 2 mil pés de café

O fogo, que começou no início da tarde, se alastrou e só foi apagado três horas depois. Moradores locais usaram os próprios pertences para apagar o incêndio e impedir que as chamas atingissem residências e uma fábrica de fogos de artifício que funciona nas proximidades. Há relatos de pessoas que inalaram a fumaça na ação e tiverem que passar por atendimento médico depois.

Os moradores reclamam que o Corpo de Bombeiros abandonou a ocorrência, voltando apenas no final da ação. Os prejuízos são incalculáveis para quem foi lesado pelas chamas, como é a situação do casal Antônio e Sandra Fumis, proprietários de uma chácara com cultivo de hortifrúti, bens que sustentam a família.

“O que me deixou indignada foi o pouco caso que os Bombeiros tiveram em relação ao fogo no pasto vizinho. Eles foram embora dizendo que só Deus apagaria aquele fogo e não se preocuparam com as consequências que aquilo iria tomar. Deu nisso, perdemos tudo o que produzimos. São bens materiais, mas que fazem parte das nossas vidas e são o nosso sustento”, lamentou a moradora Sandra Spadotto Fumis, que ainda passou três horas ao lado do marido no PS após o mesmo inalar perigosamente fumaça no combate ao incêndio.

Queimada 3A família contabiliza como prejuízo mais de 2 mil pés de café, 1500 pés de mandioca e cana de açúcar, além da cerca viva que servia de proteção para a casa e plantação. “Acredito que se eles tivessem se juntado a nós, esse fogo seria controlado e não teria invadido nossa propriedade. Pagamos impostos como todos os cidadãos e não tivemos retorno nenhum”, desabada Sandra Fumis.

Em postagens pelas redes sociais, amigos e parentes exaltaram a coragem dos moradores da Vila Antártica que impediram que o fogo atingisse uma fábrica de fogos de artifício. A reportagem do Acontece Botucatu também procurou conversar com o Sargento De Souza, que inicialmente estava na ocorrência da Vila Antártica. Para ele as críticas são injustas.

Bombeiros se defendem dizendo que eram várias ocorrências ao mesmo tempo
Bombeiros se defendem dizendo que eram várias ocorrências ao mesmo tempo

“Estávamos em três Bombeiros combatendo na linha do trem. Descemos onde o fogo estava no cafezal, mas estava fora de controle, com o mato muito alto, sem condições humanas de atuar, pois o caminhão não chegava até lá e não havia água, era um trabalho totalmente braçal. Daí recebemos uma ligação de que no Califórnia, em Rubião Junior, uma grande área estava sendo consumida pelas chamas bem próximo de residências. Uma outra equipe foi até esse ponto na Vila Antártica quando a informação era de que as chamas estavam próximas de uma fábrica de fogos de artifício. O problema é que nessas situações o combate é muito difícil, os meios são escassos e muitas vezes as pessoas não entendem”, disse o Sargento De Souza do Corpo de Bombeiros.

Em contato com o comandante dos Bombeiros de Botucatu, Cap PM Edson Winckler Filho, o mesmo relata que durante as ocorrências, estava acompanhando os atendimentos no Centro de Operações dos Bombeiros (COBOM) e auxiliando o atendente do telefone 193 na solicitação de apoios de água junto à Prefeitura, Sabesp e empresas particulares, como a Duratex, Eucatex e Usina da Barra Bonita.

“Entendemos a posição das pessoas que ligam no 193 e querem o serviço, porém, fazemos o possível para atender todos os chamados, sabendo que muitas vezes, como ocorre com todos os Bombeiros do Brasil, não temos condições físicas e humanas de atender todos os chamados, principalmente nas situações de incêndios em vegetação natural que são demoradas por conta da extensão das áreas queimadas. Nos desdobramos para minimizar os danos, porém, estes ocorrem, pois, as pessoas que ateiam fogo não tem noção do prejuízo que podem causar e da velocidade de propagação das chamas, principalmente nesse período de estiagem. Em todos os atendimentos priorizamos a preservação da vida em detrimento do meio ambiente e patrimônio. De forma alguma abandonamos uma ocorrência sem terminar o atendimento, porém, mudamos as estratégias de combate por conta das prioridades que possam surgir”, defendeu o Capitão Winckler.

Além do incêndio na Vila Antártica, foram registrados focos no Recanto Azul (duas vezes), Califórnia em Rubião Júnior, entre outros, todos quase que simultaneamente, segundo o registro de ocorrências. O Oficial orienta a população para evitar queimadas, fazer aceiros em áreas urbanas extensas e principalmente rurais, além de denunciar os incendiários.

Licitação para Bombeiros Municipais

Modelo que será licitado Imagem governo de Rondônia
Modelo que será licitado
Imagem governo de Rondônia

Para melhorar as condições de atendimento, ainda esta semana será aberto um processo licitatório para contratação de uma Brigada Municipal de Bombeiros. A ideia é colocar 2 profissionais por dia em 12 horas, durante 5 meses no auxílio ao combate de focos de incêndio dentro do município.

Também será aberto processo licitatório para aquisição de uma viatura Auto Tanque Florestal, traçada, 6×4, com capacidade 12.000 litros. O modelo é considerado ideal para combater incêndios em locais de difícil acesso. Os investimentos são na ordem de R$ 500 mil e serão pagos com recursos do Fumabom (Fundo Municipal de Manutenção do Corpo de Bombeiros de Botucatu).