Pedreiro que assassinou mulher é condenado a 16 anos

Fotos: David Devidé

Foram 16 anos de reclusão em regime fechado. Foi esta a pena proferida pela juíza de Direito, Letícia de Assis Bruning, ao réu Anderson Caetano de Souza, de 40 anos de idade, julgado nesta quinta-feira (18) no Tribunal de Júri do Fórum de Botucatu. Ele foi denunciado pela promotoria pública como autor do homicídio cometido contra sua companheira Deonísia Francisca da Cunha Jardim, que trabalhava como repositora de supermercado e tinha, na época, 41 anos.

O violento homicídio contra a mulher cometido pelo réu que é pedreiro, aconteceu na noite do dia 8 de dezembro de 2011, na Rua Professor Solon Paes Caldeira, nº 233, Parque dos Comerciários IV, onde o casal morava maritalmente. O corpo da mulher foi encontrado no dia seguinte (09/12), por familiares. Para tirar a vida da mulher Souza usou um “machadinho” de corte também usado como martelo, aplicando vários golpes em sua cabeça causando afundamento do crânio na região da nuca.

Depois do crime o pedreiro fugiu, mas foi preso no dia posterior na SP-300 Rodovia Marechal Rondon, no Município de Penápolis, na poltrona 32 de um ônibus da empresa Reunidas que fazia o itinerário Bauru a Três Lagoas, por uma equipe do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) e encaminhado ao Plantão Policial de Penápolis. Ainda naquela noite os policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Vitor e Virgílio, viajaram para aquela cidade para trazer o acusado de volta a Botucatu, sendo o mesmo recolhido ? Cadeia Pública local já na madrugada de sábado (10) e permaneceu preso aguardando o julgamento.

O Conselho de Sentença que condenou o réu, acatando o pedido feito pelo promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino, foi composto por cinco homens e duas mulheres de diferentes segmentos da sociedade botucatuense. Na defesa do acusado esteve atuando o advogado Edson Coneglian.

{n}{tam:25px}O assassinato{/n}{/tam}

Após sua prisão Antônio Souza revelou que o crime foi cometido na noite de quinta-feira (8), por volta das 20 horas, após uma discussão entre o casal. “Eu desconfiava que ela estava me traindo e na tarde daquele dia vi ela saindo de uma caminhonete. Quando entrou em casa começamos a discutir e ela foi embora. Lá pelas sete e meia (19h30) ela voltou e a discussão recomeçou. Ela me agrediu e perdi a cabeça. Peguei o “machadinho” e bati na cabeça dela várias vezes”, lembra o homicida.

A mulher ficou estendida no sofá e ele a cobriu com um cobertor. “Depois, fiquei algum tempo por ali sem saber o que fazer. Decidi pegar meus documentos, algumas peças de roupa e fugir. Fiquei a noite inteira andando sem rumo pela Cidade e lá pelo meio dia peguei o ônibus (para Avaré) e saí de Botucatu. De noitinha, peguei outro ônibus para ir até a casa de minha mãe que mora na Cidade de Major Prado (MS), mas a polícia me pegou no caminho”, disse o homicida.

Embora tenha mostrado arrependimento disse que estava preparado para pagar pelo crime. “Era assim: a gente discutia muito por qualquer coisa e se agredia sempre. Não tinha mais jeito de ficar junto, mas ela não queria separar. Algumas vezes cheguei a sair de casa, mas ela foi me buscar em Araçatuba. Além disso, aqui em Botucatu não conseguia trabalho. Vivemos dois anos assim, nesse vai e vem”, disse. “Apesar de tudo, não deveria ter acontecido aquilo. Foi um momento de raiva, de bobeira e agora tenho que arcar com as consequências. Acabei com a vida dela e com a minha”, lamentou.

Na ocasião dos fatos existia um processo correndo pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde Deonísia pedia medida protetiva contra o companheiro para que não se aproximasse dela. “Entendendo que a mulher corria risco de morte, o juiz deferiu o pedido para que a medida fosse cumprida, mas nenhum dos dois havia comparecido na delegacia para conhecer a determinação judicial”, comentou a delegada Simone Alves Firmino.

fotos: Valéria Cuter

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