Patrulha Rural da GCM faz resgate de veado catingueiro

No final da tarde deste domingo, a Patrulha Rural da Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada para fazer o regate de um filhote de veado catingueiro fêmea de, aproximadamente, um mês de idade, na Rua Marciano Zacharias, região do Porto Said, zona rural da Cidade. Essa espécie de animal fauna silvestre, já foi abundante na região e hoje corre sério risco de ser extinto.

Esse filhote estava perdido, com fome e desnutrido e “apareceu” em via pública, sendo apanhando por um morador que acionou a GCM, informando que a mãe desse animal havia morrido em razão de uma queimada ocorrida em um canavial naquela região do Município.

O pequeno animal foi recolhido e encaminhado ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (CEMPAS), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, onde passará por análises, permanecendo aos cuidados da equipe de médicos veterinários do local, comandada pelo professor/doutor Carlos Teixeira. É nesse Centro de Atendimento que são trazidos aves e animais silvestres, resultado de apreensões, vítimas de atropelamentos em estradas, vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los, ou mesmo aqueles que perdem seu habitat natural e acabam invadindo áreas urbanas.

Hoje no CEMPAS são mantidos em cativeiro diferentes espécies de primatas (sagüis, macaco-prego e bugios), jacarés, papagaios, gavião carijó, maritacas, corujas, seriema, lobo-guará, jibóias, jabotis, lagartos, gambá, tamanduá bandeira, javalis, entre outros. Um verdadeiro zoológico dentro de um centro de pesquisas científicas.

“Muitos animais que mantemos aqui são condenados a soltura, pois estão muito humanizados, ou seja, não conseguem viver sem a presença do homem e se retornarem ao habitat natural, seguramente, não sobreviveriam. Por isso são tratados e alguns deles são transferidos para zoológicos ou criadouros conservacionistas, outros permanecem aqui para serem pesquisados e são base para teses e doutorados. Porém, essas pesquisas não envolvem a eutanásia (morte do animal)”, explicou Teixeira.

Os animais que foram retirados de seu habitat natural e tiveram pouco convívio com o ser humano são tratados, recuperados e soltos. Porém, o professor alerta que não é aconselhável soltar animais, indiscriminadamente, na natureza e mesmo aqueles que ainda estão em condições de viverem em liberdade na natureza têm que ser soltos de maneira adequada.

“No reino selvagem existe uma competição muito intensa pela disputa de território e não são raros os casos em que animais são mortos por um rival. Então, o ideal é soltar os animais o mais próximo possível do lugar de onde foi retirado”, orienta o professor da Unesp.

Embora o Centro tenha muitos animais selvagens, a visitação pública não é permitida. “A visitação não é aberta, pois grande parte dos animais que mantemos aqui é usada para teses e doutorados ou estão em tratamento intensivo e poderiam ser infectados por pessoas que poderiam trazer vírus e bactérias de fora e uma contaminação poderia por a perder um trabalho de muitos meses”, frisa Teixeira. “Por isso, as visitas que recebemos são monitoradas”, completa.