“Pai de santo” fica em liberdade e processo deverá ser arquivado

O juiz titular da 1ª Vara da Comarca de Botucatu, Josias Martins de Souza Filho, decidiu nesta terça-feira não decretar a prisão preventiva contra o pedreiro e pai de santo João Floriano de Almeida, de 39 anos de idade, que tem como defensor o advogado criminalista Roberto Fernando Bicudo. O juiz acatou o parecer da promotora de Justiça Cláudia Rodrigues Caldas Lourenção, que não encontrou embasamento para pedir a prisão. Com isso, o processo contra João Floriano deverá ser arquivado

A decisão do juiz é pública e qualquer cidadão interessado poderá se dirigir ao cartório da 1ª Vara da Comarca e conhecer a íntegra dessa decisão judicial. “Não havia embasamento jurídico, nem provas processuais para que a prisão preventiva fosse decretada. Nossa decisão foi baseada em dados técnicos”, colocou o magistrado.

O acusado havia sido preso dia 13 de julho deste ano e estava na Cadeia Pública de Conchas, em regime de prisão temporária e ganhou a liberdade na noite de sexta-feira da semana passada (10-09) por força de lei, já que o período da prisão temporária havia se expirado e o pedido de prisão preventiva solicitado pela delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Simone Alves Firmino, não havia sido julgado.

O advogado que defende os interesses do acusado, Fernando Roberto Bicudo, acreditava que a prisão não seria decretada. “Não havia razão para isso. Não há denúncia, nem provas contra ele e por isso não poderia ficar preso. Tanto a promotora como o juiz atuaram de acordo com o que está previsto na lei. Agora, apesar de ter passado por tudo que passou, ele vai poder e seguir com sua vida, pois o caso deverá ser arquivado”, colocou Bicudo.

Esse cidadão que diz que é pai de santo e incorpora uma entidade denominada Zé Pilintra, foi acusado de abusar sexualmente de sua filha de 19 anos, de nome Andressa de Almeida, com quem supostamente tem um filho de um ano e oito meses. João Floriano responde por outra denúncia de abuso sexual cometido contra sua enteada Adriana Oliveira, de 36 anos de idade. Um dos filhos dessa mulher também é suspeito de ser filho do pai de santo. As duas filhas do acusado, assim como seus dois supostos filhos (netos) estiveram no IML para que fosse coletada amostra de sangue para exame de paternidade (DNA).

Porém, a filha biológica do acusado, recusou-se a doar sangue dela e do filho para a coleta. Ela disse que não foi obrigada a praticar sexo com o pai. “Tive relação com outros homens fora de casa, mas nada com meu pai. O meu filho é de um caminhoneiro de São Manuel. Eu estava grávida de novo, esperando outro filho de um namorado. A gente morava em Vitoriana, mas perdi a criança e voltei para casa. Hoje moro com meu pai, minha mãe e minha irmã”, disse Andressa.

Nesses dias em que ficou preso João Floriano revelou que passou pelos piores momentos de sua vida e chegou até a uma tentativa de suicídio, mas garante que não sofreu represálias mais sérias por parte de outros presos, embora alguns tivessem proferido ameaças e o chamado de monstro. Afirma que recebeu apoios de parentes e amigos. Desde que saiu da prisão tem evitado aparecer no quintal da casa e tem medo de sair ? rua, pois teme ser linchado.

Na manhã de segunda-feira (13-09) João Floriano aceitou falar com a reportagem do {n}Jornal Acontece Botucatu{/n} e revelou tudo o que passou e deu sua versão da história ao lado do seu advogado, que também falou sobre o caso e previu que o réu ficaria em liberdade.

Veja o que disse Fernando Bicudo e João Floriano na manhã de segunda-feira.

{n}Abuso sexual{/n}

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“Nunca abusei da Andressa ou da filha menor. Minha casa sempre foi cheia de mulheres e se tivesse que ter relação com uma mulher que não fosse minha esposa não seria uma pessoa do meu sangue. Olha, a Andressa sempre deu trabalho e por muitas vezes foi chamada no Conselho Tutelar. Isso todo mundo aqui na vizinhança sabe, mesmo assim eu nunca faria mal a ela nem pra minha filha menor. O caso da Adriana é diferente porque ela era minha enteada, tinha mais de 30 anos e fiz uma vez”.

{n}Buscando aposentadoria{/n}

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“Fui acusado disso (estupro) e não tenho mais sossego. Peguei doença na cadeia e tive que ir hoje (segunda-feira) tomar injeção no hospital. Eu já tenho problema de caxumba, de coluna e tenho a costela quebrada e não posso trabalhar em serviço pesado. Vou ver se “encosto” (aposento) pelo INSS. Eu tenho problema de relação, pergunte pra minha mulher. Com eu vou ser “estrupador”?

{n}Zé Pilintra{/n}

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“Continuo sendo pai de santo porque isso é um dom que a gente tem de nascimento e não dá pra mudar. Ele se manifesta em mim, mas não avisa. E quando ele se incorpora, não me lembro de nada. Faço reza e benzedura para o bem das pessoas. Essa entidade não faz coisas para o mal. Por isso que eu falo que não abusei de ninguém. As imagens (do Zé Pilintra) que eu tinha aqui no altar a polícia levou embora”.

{n}Dias difíceis{/n}

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“Esses dias na cadeia foi horrível. A comida vinha estragada e passei a pão e miojo. O café e a limpeza a gente fazia. Passei por dias ruins na cadeia e tentei até me matar, mas eu pensava aqui fora. Minha família sempre dependeu de mim, mas como estive preso não pude trabalhar e o dinheiro da aposentadoria da minha mulher não foi suficiente. Por causa disso as contas estouraram e está tudo atrasado. Não sei o que vai ser. Mesmo doente eu trabalhava todo dia, mas agora não posso nem sair na rua. Os vizinhos me olham como se eu fosse bandido. Se eu sair na rua é capaz de ser linchado. Tá difícil e estou preso dentro de casa”.

{n}Assista agora o vídeo com as entrevistas{/n}