Macaco bugio é apreendido em escola pública da cidade

Um macaco da espécie bugio, localizada em uma escola pública da cidade de Areiópolis, deu muito trabalho ? s equipes do Corpo de Bombeiros de Botucatu e Lençóis Paulista. O animal veio da mata da região e entrou na área urbana da cidade. Acabou levando um choque na rede elétrica e se refugiou no alto de uma árvore há mais de 20 metros do chão.

Ele ficou dois dias no mesmo local e como permanecia imóvel, nessa quarta-feira foi montado uma operação de resgate do animal. Foram mais ou menos 90 minutos até que os policiais conseguiram retirar o macaco da árvore que corria o risco de cair, pois estava estressado, cansado e com fome. O trabalho dos policiais mudou a rotina dos estudantes da escola e dos transeuntes que caminhavam pela rua. Todos torciam para que a história tivesse um final feliz.

O macaco havia sido visto pela primeira vez, dias atrás, em uma chácara nos arredores da cidade e depois de “invadir” a área urbana da cidade e levar um choque subiu no topo da árvore em um local de galho fino que não suportaria o peso de um homem com uma escada.

Com jatos de água fria atirados na direção do animal, os bombeiros forçaram-no a ir para outra árvore, mas ele acabou subindo ao telhado do colégio. Depois, voltou para uma árvore mais baixa e desceu para o chão tentando fugir em disparada. Um dos bombeiros pulou sobre ele e o agarrou pelo rabo.

O animal bastante debilitado em razão de ter ficado muito tempo sem água e sem comida já que não sabe se alimentar em área urbana, foi entregue ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (CEMPAS), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, ficando aos cuidados do professor doutor, Carlos Teixeira, que já atende várias espécies de primatas que são encontradas fora do seu habitat natural.

Teixeira é o responsável pelo CEMPAS e tem uma equipe especializada e treinada para cuidar de diferentes espécies de animais silvestres, resultado de apreensões feitas pela Polícia Ambiental, vítimas de atropelamentos em estradas ou ainda vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los.

Hoje no CEMPAS são mantidos em cativeiro diferentes espécies de primatas (sagüis, macaco-prego e bugios), jacarés, papagaios, gavião carijó, maritacas, corujas, seriema, lobo-guará, jibóias, jabotis, lagartos, gambá, tamanduá bandeira, javalis, entre outros. Um verdadeiro zoológico dentro de um centro de pesquisas científicas.

“Muitos animais que mantemos aqui são condenados a soltura, pois estão muito humanizados, ou seja, não conseguem viver sem a presença do homem e se retornarem ao habitat natural, seguramente, não sobreviveriam. Por isso são tratados e alguns deles são transferidos para zoológicos ou criadouros conservacionistas, outros permanecem aqui para serem pesquisados e são base para teses e doutorados. Porém, essas pesquisas não envolvem a eutanásia (morte do animal)”, explicou Teixeira. “Já os animais que foram retirados de seu habitat natural e tiveram pouco convívio com o ser humano são tratados, recuperados e soltos”, complementa.