Lobo guará é capturado ferido em estrada vicinal

Foi atendendo solicitação ao telefone 199, que a Patrulha Ambiental da Guarda Civil Municipal (GCM) na noite desta quinta-feira (23) fez a captura de um lobo guará, no acostamento da estrada vicinal Eduardo Zucari (acesso a Eucatex), com ferimentos nas patas traseiras e dianteiras.

O animal, possivelmente, vítima de um atropelamento, foi encaminhado ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (Cempas) e entregue ? equipe do professor/doutor Carlos Teixeira, para receber cuidados veterinários. O lobo guará, maior representante da família dos canídeos da América do Sul, é um animal que está na lista dos animais em risco de extinção.

No Cempas diferentes espécies de animais silvestres estão sendo cuidadas, resultado de apreensões feitas pela Polícia Ambiental ou vítimas de atropelamentos em estradas ou ainda vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los. Primatas como sagüis, macaco-prego, bugios ou jacarés, papagaios, gaviões, maritacas, corujas, seriema, lobo-guará, jibóias, jabotis, cachorros do mato, lagartos, gambá, tamanduá bandeira, javalis, são algumas espécies tratadas no Centro.

“Grande parte dos animais que mantemos aqui são condenados a soltura, pois estão muito humanizados, ou seja, não conseguem viver sem a presença do homem e se retornarem ao habitat natural, seguramente, não sobreviveriam. Já os animais que foram retirados de seu habitat natural e tiveram pouco convívio com o ser humano são tratados, recuperados e soltos”, frisa Teixeira, alertando que não é aconselhável soltar animais, indiscriminadamente, na natureza.

“Mesmo aqueles que ainda estão em condições de viverem em liberdade na natureza têm que ser soltos de maneira adequada, pois no reino selvagem existe uma competição muito intensa pela disputa de território e não são raros os casos em que animais são mortos por um rival. Então, o ideal é soltar os animais o mais próximo possível do lugar de onde foi retirado”, orienta o professor da Unesp.

Enfatiza que, embora o Centro tenha muitos animais selvagens, a visitação pública não é permitida. “A visitação não é aberta, pois grande parte dos animais que mantemos aqui é usada para teses e doutorados ou estão em tratamento intensivo e poderiam ser infectados por pessoas que poderiam trazer vírus e bactérias de fora. Uma contaminação poderia por a perder um trabalho de muitos meses. Por isso, as visitas que recebemos são monitoradas”, explica.

Para quem tem animais ou aves silvestres em cativeiro não legalizados e quer se desfazer deles, o professor da Unesp sugere que procure a Polícia Ambiental. “A pessoa pode procurar a Ambiental e revelar que tem um animal ou uma ave em cativeiro e quer devolver. Se a pessoa preferir pode trazer até a Unesp, que nós recebemos e depois comunicamos ? Ambiental. Em hipótese nenhuma pessoa deve soltar um animal que está há muito tempo no cativeiro, pois sua morte seria certa”, concluiu Teixeira.