Júri popular absolve cinco réus acusados de assassinato

O auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subsecção de Botucatu, foi o palco de um dos julgamentos mais longos e concorridos já realizados em Botucatu. O júri se iniciou por volta das 9 horas e só foi encerrado ? s 23 horas quando a juíza presidente Adriana Tayano Fanton Furukawa anunciou a decisão do Conselho de Sentença (jurados) formado por quatro mulheres e três homens da sociedade botucatuense, que optou pela inocência dos réus.

Foram absolvidos de uma só vez: Alessandro Rodrigues Magalhães (Paraguai), Vitor Leandro da Cruz (Gordinho), Adilson Rogério Vicente (Banespinha), Samuel Cardoso Pereira (Samuca) e Jairo Luiz de Campos (Jairinho). Todos foram denunciados como participantes do assassinato de Eliseu Vasconcelos, então conhecido como Foguinho. Contra a vítima foram disparados 23 tiros, sendo 10 nas costas e 13 na parte frontal.

O julgamento chamou a atenção da população, já que quadra da Rua General Telles onde está o prédio da OAB, esteve interditada com um forte esquema de segurança, com furgões de cinco presídios diferentes do Estado onde os acusados estavam presos, aguardando o julgamento.

Também pesava contra os réus uma tentativa de homicídio tendo como vítima, Isaú Vasconcelos, filho de Foguinho, que se encontrava no local dos fatos. Isaú está preso, em Conchas, por ter sido acusado de crime de estupro cometido nas proximidades da passarela do Parque Marajoara, este ano e acabou sendo um trunfo importante para os defensores dos réus.

Ele compareceu (escoltado) ao julgamento para ser inquirido como testemunha e não reconheceu os réus como autores dos disparos que tiraram a vida de seu pai e atentaram contra sua vida. Em razão disso, os acusados também foram absolvidos desse crime.

Na defesa dos cinco réus estiveram atuando cinco advogados. Foram eles: Roberto Fernando Bicudo; Rita de Cássia Barbuio; Adriana Bogatti Guimarães Rizzo, Bibiana Ferreira Rocha e Milton Nogueira Ribeiro Júnior. Todos defenderam a tese de negativa de autoria, citando várias falhas que entendiam haver no processo, que foi acatada pelos jurados. Na acusação esteve o promotor de Justiça José Marcos José de Freitas Corvino que pediu a condenação dos cinco réus.

{n}Crime denunciado{/n}

De acordo com o que está relatado na denúncia o crime aconteceu no início da tarde do dia 12 de outubro de 2006, na Oficina de Funilaria e Pintura do Bafinho, na Rua Expedicionários Almiro Bernardes, na Vila Maria, e os cinco indiciados que seriam suspeitos de fazer parte de uma facção criminosa que age dentro dos presídios paulistas, teriam assassinado Foguinho para vingar a morte de um elemento conhecido como Garrincha, que seria “irmão” desta facção.

Para executar Foguinho, os acusados teriam usado três veículos (VW Gol, GM Corsa e GM Kadet) e quatro armas de fogo, entre pistolas e revólveres. O coordenador e mentor intelectual da ação criminosa seria um cidadão de nome João Batista de Lima, conhecido como Peru, que morreu no ano passado, baleado em um confronto com a Polícia Militar, de Laranjal Paulista.

Peru, com o Kadett teria seguido Foguinho pelas ruas da cidade e quando percebeu que ele havia entrado na funilaria, acionou seus comparsas, que chegaram ao local em outros dois veículos. Armados, invadiram a oficina e dispararam vários tiros e 23 acertaram a vítima. O filho (Isaú), que havia entrado na oficina com o pai conseguiu escapar ileso.

Com a decisão dos jurados de absolver os cinco acusados pelo crime, familiares dos réus, que permaneceram no auditório da OAB por mais de 14 horas, fizeram uma verdadeira “festa” após a juíza presidente proferir a sentença. Agora, não está descartada a possibilidade de que os absolvidos entrem na Justiça pedindo uma indenização por terem ficado presos aguardando o julgamento. Outro questionamento ficou no ar: “Se os cinco acusados foram inocentados do crime, quem, então, teria disparado os 23 tiros que executaram Foguinho?”.