Iniciado julgamento administrativo do PM acusado de extorsão

Nesta quarta-feira esteve na sede do 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), o policial Nivaldo Barbosa que foi filmado cometendo crime de extorsão por Rafael Pereira da Silva, conhecido como Rafinha. Ele realizou a filmagem usando uma microcâmara instalada em seu relógio de pulso.

O PM foi preso em flagrante, nas proximidades do Hospital Regional Sorocabana, na Vila dos Lavradores no dia 13 de abril deste ano, exingido dinheiro para depor a favor de uma pessoa presa em flagrante por tráfico de entorpecentes que seria ouvido na 2ª Vara Criminal, mas foi preso numa operação da Força Tática, comandada pelo tenente Sayki e foi conduzido ao presídio militar Romão Gomes, em São Paulo.

Ele está sendo julgado pelo Conselho de Disciplina da PM, que tem como presidente o capitão Semensati e mais dois tenentes como membros: Freitas e Camargo. Das seis testemunhas de acusação, somente uma deixou de comparecer: o Rafinha. Através de seu advogado, Vitor Deleo, revelou que não compareceu por desconhecer o assunto que ia ser tratado e não ser esta uma convocação judicial. As demais testemunhas eram policiais militares, que fizeram o flagrante.

Segundo Semensati, o Conselho de Disciplina ouve todas as partes envolvidas no processo e ao final elabora um relatório onde consta se o acusado tem condições morais de continuar fazendo parte da Instituição ou não. No caso de uma condenação administrativa no processo ele não poderá mais usar a farda da PM. O policial também responde processo na Vara Criminal.

“Estamos na fase de instrução ouvindo as testemunhas de acusação. Convocamos seis pessoas e só uma não apareceu, mas receberá, oportunamente, uma nova convocação. Depois ouviremos as testemunhas de defesa, antes de fechar o relatório final que será entregue ao comando da PM”, explicou o capitão da PM. Muito abatido, o acusado ouviu as cinco testemunhas e foi escoltado de volta para São Paulo.

O coordenador operacional do 12º BPM, major Marcelo Oliveira, que acompanha o caso desde o seu início voltou a relatar que este foi um fato isolado de uma pessoa que usou a farda para cometer o crime e não se pode generalizar.

“Este foi um ato isolado e em todas as profissões existem boas e más pessoas. Na PM, a situação se agrava, pois quem cometeu o crime é uma pessoa que tem o dever de combatê-lo. Menos de oito horas depois de recebermos a informação do Poder Judiciário sobre o envolvimento do policial, ele acabou sendo preso, sem nenhum tipo de corporativismo e ele poderá ser expulso da instituição e processado pelo crime na esfera judicial”, declarou o major.

Fotos: Valéria Cuter