Homem que barbarizou criança será julgado nesta quinta-feira

Um dos crimes mais bárbaros já registrados em Botucatu contra uma criança será levado a júri popular nesta quinta-feira no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subsecção de Botucatu. Senta-se no banco dos réus, Fernando Souza Silva (foto), de 28 anos de idade. A violência do crime chocou até os policiais mais experientes que trabalharam no caso. O crime aconteceu na manhã do dia 17 de outubro de 2007, na Avenida Rui Barbosa, nº 06, no Distrito de Rubião Júnior.

A vítima foi Vitória Eduarda Proença Vaz, na ocasião dos fatos com apenas três anos de idade, que em razão das agressões que sofreu ficou com sequelas irreversíveis. Hoje, com seis anos, ainda traz as marcas da violência. Ela sofreu debilidade mental permanente, não fala, não enxerga, não anda, não movimenta o lado esquerdo do corpo, movimenta de forma desordenada o lado direito do corpo, precisa de ajuda para se alimentar e para higiene pessoal.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino, o réu tentou matar sua enteada desferindo contra ela socos e pontapés, causando-lhe os ferimentos de natureza gravíssima, só não sobreveio o resultado da morte por circunstâncias alheias ? sua vontade.

O promotor descreve nos autos do processo que segundo se apurou, na manhã dos fatos, Vitória dormia no sofá, onde acabou por fazer “xixi” na calça, o que irritou o denunciado, que por não aceitar o comportamento da criança, passou a agredi-la, ocasião em que colocou Vitória no seu colo e a violentou, penetrando seu ânus e vagina. Depois de abusar sexualmente da criança o homem passou a agredi-la de forma violenta desferindo-lhe socos e pontapés e arremessando-a, por várias vezes, contra a parede, deixando-a prostrada no chão, desfalecida.

Ainda de acordo com o promotor, a avó da criança, Sidinéia Proença da Silva, de 34 anos de idade, amasiada de Fernando Souza, percebendo barulho no interior da casa, foi em socorro da neta quando se deparou com o indiciado que segurava um facão e dizia: “Já matei ela, agora vou enterrá-la, vou picá-la inteira e enterrá-la”, só não fazendo devido a intervenção da avó que conseguiu socorrer a menina levando-a ao Pronto Socorro (PS) da Unesp, onde foi internada da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com vários ferimentos pelo corpo, principalmente na cabeça e hemorragia vaginal. Depois do crime Fernando Souza fugiu e só foi capturado semanas depois do crime.

Outro detalhe levantado, na ocasião, é que a menina estava morando com sua avó Sidinéia (amasiada de Fernando), em razão da mãe, Daiane de Proença, haver se separado do marido para viver maritalmente com outro homem. O pai biológico da menina, José Eduardo Vaz, estava buscando o direito na Justiça de ficar com a guarda da criança quando tudo aconteceu e até hoje está inconformado com a violência sofrida pela filha. Também foi apurado que a avó, Sidinéia, antes de levar a menina ao médico, procurou limpar a menina colocando nela roupa limpas. Chegou a ficar presa por alguns dias, mas acabou sendo liberada. Ela, que seria a principal testemunha do crime, morreu em agosto deste ano, vítima de um câncer.

O réu será defendido pelo advogado criminalista, Roberto Fernando Bicudo, que adianta que vai levantar em plenário alguns erros que estão inseridos no processo. Na acusação estará o Promotor de Justiça, Marcos José de Freitas Corvino e na presidência dos trabalhos, atuará a juíza Adriana Toyano Fanton Furukawa. Sete pessoas entre homens e mulheres de diferentes segmentos da sociedade botucatuense (entre 21 convocadas pela juíza) serão sorteadas para compor o Conselho de Sentença (Corpo de Jurados). Em razão das circunstâncias do crime o julgamento de Fernando Souza, deverá se iniciar por volta das 9 horas e receber um bom público.