GCM aprimora técnica de captura de animais silvestres

Com o objetivo de aprimorar o conhecimento na captura de animais silvestres que, rotineiramente, invadem a zona urbana do Município, atropelados em estradas ou vindos de pessoas que criam os animais e depois resolvem abandoná-los, o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (CEMPAS), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, realizou curso prático e teórico para agentes da Guarda Civil Municipal (de Botucatu e São Manuel) e profissionais da Vigilância Ambiental em Saúde (VAS).

O curso foi ministrado pela equipe do professor/doutor em Medicina Veterinária e responsável pelo CEMPAS, Carlos Teixeira, com a participação do professor Marcos Vinícius Tranquilim, do Unicentro Guarapuaba, do Paraná, sendo divididos em dois módulos. No primeiro dia houve a parte teórica, na sala de aula, onde os participantes receberam orientações sobre os animais que fazem parte da fauna da região. No segundo dia as aulas foram práticas e os cursantes tiveram a oportunidade de manusear animais como cobras, jacarés, macacos, lagartos, entre outros, além de diferentes espécies de aves.

“Esse curso é feito pelo menos uma vez por ano com o objetivo de orientar essas pessoas que manuseiam animais silvestres para que eles cheguem até o CEMPAS em boas condições de saúde. Quanto mais saudável o animal chegar, mas rápido ele pode ser reintroduzido ao seu habitat natural”, frisa Teixeira.

O professor/doutor lembra que muitos animais chegam ? área urbana e buscam refúgio em residências porque estão perdendo seu espaço na natureza. “Cada vez mais estão diminuindo bosques e florestas e isso está fazendo com que os animais entrem em contato com o ser humano e muitas vezes acabam sendo mortos. Quando uma pessoa perceber um animal silvestre no seu quintal não deve matá-lo ou tentar capturá-lo. A orientação é para que acione o Corpo de Bombeiro, Polícia Ambiental, Vigilância Ambiental ou Guarda Municipal que estão capacitados para fazer o manuseio do animal”, ensina Teixeira. “Por isso esse curso de aperfeiçoamento é importante”, acrescenta o veterinário.

Carlos Teixeira lembra que no CEMPAS são mantidos em cativeiro diferentes espécies de animais silvestres, muito dos quais condenados a soltura, pois estão muito humanizados e não conseguiriam mais viver sem a presença do homem. Se retornarem ao habitat natural, seguramente, não sobreviveriam. “Por isso é importante que os animais capturados permaneçam no CEMPAS o menor tempo possível”, diz Teixeira. “Os animais capturados e que tiveram pouco convívio com o ser humano são tratados, recuperados e soltos em seu habitat natural”, emenda o professor, ressaltando que não é aconselhável soltar animais, indiscriminadamente, na natureza.

“Mesmo aqueles que ainda estão em condições de viverem em liberdade na natureza têm que ser soltos de maneira adequada, pois no reino selvagem existe uma competição muito intensa pela disputa de território e não são raros os casos em que animais são mortos por um rival. Então, o ideal é soltar os animais o mais próximo possível do lugar de onde foi retirado”, ensina o professor da Unesp.

Outro orientação é dada para aquele que tem animais ou aves silvestres em cativeiro não legalizados e quer se desfazer deles. “A pessoa pode procurar a Polícia Ambiental e revelar que tem um animal ou uma ave em cativeiro e quer devolver. Se a pessoa preferir pode trazer até a Unesp, que nós recebemos e depois comunicamos ? Ambiental. Em hipótese nenhuma a pessoa deve soltar na natureza um animal que está há muito tempo no cativeiro, pois estaria condenando ele ? morte”, conclui Teixeira.