Furto mostra drama da mãe com dependência do filho

Os policiais militares Bento e Rodrigo efetuaram a prisão de dois jovens de 19 e 20 anos de idade, por crime de furto. A guarnição abordou uma pessoa que alegou ter adquirido um aparelho de DVD de dois jovens e detectou que o produto havia sido furtado do interior de um carro na Rua Domingos Cariola, altura do número 637.

Com apoio do cabo Samuel diligências passaram a ser feitas e os dois acusados acabaram localizados e encaminhados ? Delegacia de Investigações Gerais (DIG), onde foram ouvidos e libertados. Alegaram que furtaram o DVD para vender o aparelho e comprar crack.

A prisão desses dois jovens feita pela PM mostra, mais uma vez, que o crack tem mudado, drasticamente, a vida de muitas famílias. Isso porque a situação de dependência química acaba envolvendo outras pessoas que rodeiam o viciado.

Antes mesmo que os policiais apresentassem esses jovens ? Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a mãe de um deles, que por motivos óbvios pediu a omissão do nome, nem permitiu ser fotografada, esteve na delegacia e relatou o drama que vive em função da dependência do filho.

“Não sei mais o que fazer. Peço a Deus que meu filho fique preso para não ficar pelas ruas da cidade. Ele vive como um zumbi, não come, não toma banho, fica roubando por aí e só pensa em fazer porcaria para sustentar o vício. É duro uma mãe falar isso, mas para ele é melhor a prisão do que a rua, porque não tenho dinheiro para pagar uma clínica. Nessa situação, entre a rua e a cadeia, prefiro que fique na cadeia”, disse a mulher.

Ele conta que seu filho se viciou na adolescência e o problema foi se agravando. “Ele foi mudando sua personalidade e começou sumir com objetos e dinheiro de minha casa. Ele tem apenas 20 anos e se não for cuidado não sei o que poderá acontecer. A gente só pensa no pior”, lamentou. Depois de prestar depoimento, o filho dessa mulher foi liberado, juntamente com o outro jovem detido pela PM.

{n}{tam:25px}Querendo tratamento{/tam}{/n}

Na cela, que fica no piso superior da DIG, antes de ser liberado, o adolescente confirmou que não consegue largar do vício. “Tudo que consigo eu compro pedra porque não consigo ficar sem ela. Comecei só pra experimentar e não consegui largar mais. Não tem jeito, ela (droga) é mais forte do que eu”, disse o garoto.

Revela que deverá se apresentar esta semana na Unesp, no departamento que cuida de pessoas com dependência química. “Vou me apresentar, porque o que mais quero é sair dessa vida que não leva a nada. É que a vontade de fumar é muito grande”, disse. Questionado sobre a quantidade de droga que consome por dia ele foi taxativo. “Quanto tiver”.

{n}{tam:25px}Dependência do crack{/tam}{/n}

O crack é uma mistura de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, que resulta em pequeninos grãos, fumados em cachimbos (improvisados ou não). É mais barato que a cocaína, mas como seu efeito dura muito pouco, acaba sendo usado em maiores quantidades, o que torna o vício muito caro, pois seu consumo passa a ser maior.

Para conseguir, então, sustentar esse vício, as pessoas começam a usar qualquer método para comprá-lo. Submetidas ? s pressões do traficante e do próprio vício, já não dispõem de tempo para ganhar dinheiro honestamente; partem, portanto, para a ilegalidade: tráfico de drogas, aliciamento de novas pessoas para a droga, roubos, assaltos, etc.

Estimulante seis vezes mais potente que a cocaína, o crack provoca dependência física e lesões cerebrais irreversíveis por causa de sua concentração no sistema nervoso central. Muitos usuários são levados ? morte por sua ação fulminante sobre o organismo.

O crack leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular e excitação acentuada, sensações de aparente bem-estar, aumento da capacidade física e mental, indiferença ? dor e ao cansaço.

Mas, se os prazeres físicos e psíquicos chegam rápido com uma pedra de crack, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoram a chegar. Em 15 minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra. Estudiosos asseguram que “todo usuário de crack é um candidato ? morte”.

Fotos: Valéria Cuter