Força Tática prende ex-PM acusado de extorsão

Os policiais da Força Tática da Polícia realizaram na noite desta quarta-feira (24) o cumprimento de prisão contra o ex-soldado Nivaldo Barbosa que estava na corporação há mais de 17 anos e que foi preso em flagrante no dia 13 de abril de 2011 (foto) pelos próprios colegas de profissão, acusado de extorquir familiares de um homem detido desde 2009 por tráfico de drogas em troca de um suposto depoimento ? Justiça a favor do acusado. Ele estava em um posto da concessionária responsável pela Rodovia Professor João Hypólito Martins (Castelinho). Barbosa estava em liberdade provisória, teve a prisão decretada por não comparecer a uma audiência determinada pelo juiz da 1ª Vara.

Na ocasião de sua prisão em 2011, o então comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), tenente-coronel José Aparecido Godoy Siqueira, salientou que havia tomado conhecimento das acusações contra o policial através do Judiciário. O acusado teria procurado os familiares do homem que prendeu em 2009 por tráfico, junto com outras cinco pessoas, pedindo o valor de R$ 150 mil para que depusesse a favor dele no dia do julgamento.

Orientada por advogados (Vitor Deleo e Everaldo Cecílio), a família gravou as conversas com o soldado com uma microcâmera instalada em seu relógio de pulso. O PM teria abaixado o valor cobrado para R$ 100 mil e, depois para R$ 50 mil, aceitando até mesmo um veículo Astra na negociação, além de dinheiro, e entregou as imagens ao Ministério Público (MP). “Numa das audiências, o advogado de uma das partes apresentou o vídeo onde constava a tentativa de extorsão por parte do acusado para mudar seu depoimento”, contou o comandante.

Assim que soube da denúncia, o tenente-coronel determinou a prisão do se subordinado feita em uma padaria na Vila Carmelo, onde fazia “bico” como segurança, logo após receber R$ 1,5 mil em dinheiro do familiar do preso. “Nós fizemos um planejamento, fomos até o local onde se realizaria a transação entre o acusado e a parte interessada e, nessa ocasião, efetuamos a prisão em flagrante”, contou Siqueira. “É claro que isso aí nos chateia bastante, mas o importante é que a providência foi tomada de imediato. Ele foi preso e responsabilizado com todo o rigor da lei”, emendou.

Depois de ficar por 10 meses no Presídio Romão Gomes em São Paulo, a advogada Adriana Bogatti Guimarães Rizzo impetrou um habeas corpus, que permitiu ao policial responder o processo em liberdade. A expulsão de Barbosa foi divulgada no Diário Oficial do Estado do dia 31 de março de 2012. A decisão foi administrativa porque ele ainda não havia sido julgado no processo criminal.

Os acusados por tráfico, a quem Nivaldo, supostamente, deporia a favor, foram presos em 3 de julho de 2010, numa megaoperação desencadeada pela PM, na Rua Ivete Camargo Neiva, na Vila Antártica, onde 16 pessoas foram autuadas por tráfico de entorpecentes. Nessa casa foram apreendidos 244 porções de maconha, quinze papelotes com cocaína, quatro pedras de crack, além de R$ 482,00 em notas, R$ 23,40 em moedas e seis aparelhos de telefones celulares.