Estudante diz que ficou de tanga para pagar trote

Atendendo a uma solicitação anônima feita por moradores, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) compareceram na Avenida Camilo Mazoni, s/n, Vila Carmelo, onde detiveram um estudante universitário do 1º ano de Agronomia, de 19 anos (G.O.), praticando ato obsceno em via pública. Ao seu lado estava o “veterano” L.F., de 24 anos.

Esse rapaz foi detido seminu, trajando apenas uma tanga, caminhando pelas Ruas da Vila Carmelo. Ao ser avistado ele alegou que “era “bicho” e estava cumprindo um trote determinado pelo colega veterano”.

O calouro e o veterano foram encaminhados ao 2º Distrito Policial (DP), onde o delegado Marcos Mores confeccionou o Termo Circunstanciado (TC) e ambos foram liberados, mas irão responder processo por crime de ato obsceno consumado.

Na delegacia, prestando o seu depoimento o estudante veterano alegou que não sabia que esse tipo de trote era proibido. “Quando entrei para a faculdade como calouro também passei por isso e tive que pagar trote andando de tanga pelas ruas, mas nada aconteceu”, observou.

Vale lembrar que é nesta região da cidade, que faz parte da área do 2º DP, onde estão concentradas a maioria das repúblicas de estudantes da cidade. O delegado realizou um trabalho para identificar e cadastrar todas as repúblicas existentes.

Marcos Mores revelou que o trote é crime e foi feito um levantamento de todas as repúblicas de estudantes que estão instaladas na sua área de comando, abrangendo a Vila Antártica, Vila dos Lavradores, Jardim Paraíso, Vila Carmelo, Vila Pinheiro, entre outros bairros. Segundo as estatísticas, 80% das repúblicas da cidade estão instaladas na área do 2º DP e a reclamação maior é por perturbação de sossego.

O delegado relata que já foram enquadradas mais de 20 repúblicas por perturbação de sossego que é uma contravenção penal. “Quando vem uma pessoa na delegacia reclamar de perturbação de sossego orientamos para que se una com outros moradores que queiram fazer a mesma queixa para uma denúncia em grupo. Ainda temos problemas, mas eles diminuíram consideravelmente”, conta Mores, lembrando que na delegacia eles são alertados que se continuar a perturbar os vizinhos serão responsabilizados criminalmente e a Faculdade de Medicina será comunicada.

“Mas isso não os incomoda muito. O temor dos estudantes é quando alertamos que, se houver reincidências, os pais serão intimados a comparecer na delegacia. Isso causa temor entre eles. A última coisa que querem é, por culpa deles, ver os pais numa delegacia”, revela o delegado do 2º DP.

Outro dado revelado pela autoridade policial civil é que a perturbação do sossego público não vale só para o horário noturno. “A lei é clara e não especifica horário, tanto faz se for três da tarde, como três da manhã. O crime é o mesmo. Mas nosso conselho é que as pessoas que se sentirem prejudicadas com o barulho alheio ou observarem cenas de atos obscenos como esta registrada, recentemente, devem acionar os vizinhos que também passam pelo mesmo problema e procurar a delegacia para que possamos tomar as providências que forem necessárias”, orientou Mores.