DIG prende rapaz que roubou o Auto Posto Panorama

Um trabalho desenvolvido pelos policiais especializados da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) resultou no esclarecimento de um roubo ocorrido no último dia 13 de setembro no Auto Posto Panorama (antigo Posto Malagueta), instalado na Rodovia Hipólito Martins – Castelinho, prolongamento da Avenida Pedretti Neto.

A investigação levou os policiais a um morador de rua chamado Roni Adilson Alves, de 18 anos de idade. No dia dos fatos, o acusado entrou no posto de conveniência, comprou balas e saiu. Minutos depois entrou, novamente, já simulando estar armado, ameaçou um funcionário e levou um litro de uísque. A câmara de vídeo do posto flagrou os dois momentos do marginal e isso facilitou o seu reconhecimento.

“Quando o Roni foi preso confessou o crime contra o posto, mas nós não tínhamos nenhuma dúvida de que o Roni era o responsável por este crime. Não tem residência fixa e estava sendo procurado. Esse elemento já é bastante conhecido e suspeito de ter sido o autor de vários furtos registrados na cidade. Além disso, é morador de rua e tem dependência química”, revelou o delegado Celso Olindo que estava no comando das investigações. Como não houve flagrante ele foi liberado.

{n}Vida tumultuada{/n}

Em entrevista ao Jornal Acontece Botucatu, Roni Alves diz que desde os 12 anos mora na rua, dorme na antiga estação ferroviária e pratica furtos para pode sustentar sua dependência de crack, mas garante que nunca usou uma arma. “Miro um lugar, geralmente, um supermercado ou farmácia, entro e furto. Nunca usei uma (arma) ou bati em alguém. Só me interessa pegar o produto e sumir dali. Depois troco por crack”, diz.

Embora estivesse numa situação adversa (cela da DIG) ele não perdeu o bom humor. “O que mais gosto é enganar os vigias. Os “cara me conhece” e quando chego no comércio eles logo vem atrás de mim. Eu disfarço e quando eles menos esperam cato a mercadoria e vou embora. Tem que ter manha e é muito difícil me pegar”, gaba-se.

Sobre a “escolha” dos produtos de sua preferência foi taxativo. “Não fico com isso não. Furto por encomenda para trocar com crack. Só não abro mão do chocolate e o doce de amendoim. A “pessoa” me pede desodorante, perfume, bebida, fralda, pacote de cigarro, essas coisas. Vou lá pego e troco por crack. Seu tiver, fumo até 15 pedras por dia. Sou um vagabundo e nunca gostei de trabalhar. O dinheiro que ganho na rua pedindo é pra comer. De vez em quando vou lá pro Albergue (Centro de Atendimento ao Migrante Itinerante e Mendicância – CAMIM) e peço comida. Não fico muito lá porque eles querem que a gente tome banho e trabalhe”, conta Alves.

Acredita que pode largar o vício. “Quando fico três ou quatro dias sem fumar, minha cabeça é outra, mas a vontade fica muito forte e a gente acaba voltando, pois sei onde comprar o crack. Se ficasse internado ia ter vontade, mas não ia ter crack por perto”, coloca. “Acho que vou morrer assim”, encerra.

Fotos: Valéria Cuter