Detento faz simulação de doença para ir ao PS e fugir da cadeia

“Não foi desta vez. Eu não estava passando mal. Só pedi para ir ao médico para tentar fugir”. Foi o argumento de William da Silva, de 23 anos de idade, um dos atuais 132 detentos da Cadeia Pública de Botucatu, que está preso por ter se envolvido com o crime de furto.

“Inventando“ uma doença (dor de estômago) conseguiu um motivo para sair da cadeia nessa terça-feira e tentar fugir quando estava aguardando atendimento para ser avaliado por um médico no Pronto Socorro (PS) da Unesp, escoltado pelos policiais militares Barbosa e Castro.

O indiciado permanecia algemado e encostado na parede do corredor, aparentando tranquilidade. Porém, de repente, saiu correndo pelo corredor, ganhando o pátio do PS do hospital por cerca de 100 metros até ser detido pelos PMs da escolta. Durante a corrida Willian acabou sofrendo uma queda gerando um ferimento no dedo polegar de sua mão esquerda.

O rapaz foi encaminhado ao 2º Distrito Policial onde o Boletim de Ocorrência (BO) de tentativa de fuga foi confeccionado pelo delegado titular Marcos Mores. Após prestar depoimento o detento foi reconduzido ? sua cela na Cadeia Pública.

{n}Cadeia interditada{/n}

Vale lembrar que a Cadeia Pública de Botucatu está, parcialmente, interditada e, por força de uma determinação judicial, sua rotatividade de presos fica em torno de 120 a 130 presos, distribuídos em dez celas. Embora população carcerária esteja acima do previsto (seis preso por cela), a situação de Botucatu é, relativamente, tranquila se comparada a outras cadeias da região, como a de São Manuel projetada para alojar 40 detentos, mas conta com mais de 200. Por conta da superlotação as tentativas de fugas são registradas com relativa freqüência.

Situações de tentativa de fuga como esta são encaradas com naturalidade pela polícia. O delegado seccional de polícia, delegado Antônio Soares da Costa Neto (foto), que comanda 11 municípios da região (24 delegacias), diz que os presos, na sua ociosidade diária, procuram arquitetar meios para a fuga. “Isso é natural em presídios. Os presos estão sempre arquitetando maneiras de buscar a liberdade. Cabe a polícia estar atenta para evitar que isso aconteça”, frisou Costa Neto.