Depois de 16 anos assassinato de empresário vai a júri

Depois de 16 anos um dos crimes mais comentados e emblemáticos de Botucatu ocorrido na manhã do dia 16 de janeiro de 1995, na Rua Pinheiro Machado, região central da Cidade, tendo como vítima o empresário Clóvis de Augusto França, do setor de informática, proprietário da Systen Five, vai ser julgado nesta quinta-feira no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subsecção de Botucatu. O autor do crime foi identificado menos de uma hora depois do homicídio: o também empresário Orlando Mattos Filho, mais conhecido como Duda, que era proprietário de um jornal de classificados.

Consta na denúncia da promotoria que no dia anterior ao crime, Clóvis teria cobrado uma dívida de Duda, que havia comprado equipamentos de informática e pagado com cheque sem fundo e ambos chegaram a discutir. No dia seguinte Duda estacionou seu veículo Verona nas proximidades da Systen Five e ficou aguardando. Quando Clóvis chegou Duda saiu do carro e chamou o empresário que não deu atenção e continuou caminhando em direção ? sua loja. Duda sacou de um revólver e disparou um tiro que atingiu a nuca do empresário causando sua morte instantânea.

Após o crime, Duda fugiu e semanas depois se apresentou na delegacia de Itatinga, onde era aguardado pela imprensa de toda região, para uma entrevista coletiva, onde expôs os motivos que o levaram a cometer o assassinato. Permaneceu preso na Cadeia de Itatinga por alguns dias, mas conseguiu ganhar o benefício de responder o processo em liberdade até seu julgamento, através de um habeas corpus impetrado na Justiça. Entretanto, o Ministério Público recorreu desta decisão e Duda teve a prisão decretada, novamente. Entretanto, não foi encontrado e passou a ser um foragido da Justiça.

Em 16 de agosto de 2005 foi marcado o julgamento de Duda pelo então juiz diretor do Fórum e presidente do júri, Cristiano Coelho Jarreta. Porém Duda, que seria defendido em plenário pelo advogado Ézeo Fusco Júnior, não compareceu e o juiz optou por adiar o julgamento.

Para o julgamento desta quinta-feira nada indica que Duda irá comparecer para enfrentar o Conselho de Sentença (jurados) que será formado por sete pessoas da sociedade. Mas, está definido que o julgamento será realizado, a revelia, ou seja, mesmo sem a presença do réu. Duda sabe que se for condenado pelos jurados sairia algemado do julgamento, direto para o presídio.

A defesa será feita pelo advogado criminalista Carlos Carmelo Torres e atuará na acusação, representando o Ministério Público, o promotor de Justiça Marcos José de Freitas Corvino, que deverá pedir a condenação de Duda por homicídio triplamente qualificado. Na presidência dos trabalhos estará o juiz titular da 2ª Vara da Comarca, Marcos Vinícius Bachiega, tendo ao seu lado a escrevente Eliane Camarinho Pilan.

Foto: Quico Cuter