Delegado fecha o cerco contra repúblicas de estudantes

O delegado Marcos Mores (foto), titular do 2º Distrito Policial (DP), está fazendo um levantamento de todas as repúblicas de estudantes que estão instaladas na sua área de comando, abrangendo a Vila Antártica, Vila dos Lavradores, Jardim Paraíso, Vila Pinheiro, entre outros bairros que ficam naquela região alta da cidade. Segundo as estatísticas, 80% das repúblicas da cidade estão instaladas na área do 2º DP, que é responsável por uma extensa área.

E a principal reclamação contra os estudantes é com relação ? perturbação do sossego público. Moradores reclamam que eles promovem, frequentemente, festas até altas horas da madrugada, regadas de muita bebida e baderna, com som alto e muita gritaria. “Nós já enquadramos mais de 20 repúblicas por perturbação de sossego que é uma contravenção penal”, comentou Marcos Mores.

O delegado conta que para a polícia poder agir é necessário que as pessoas que se sentirem prejudicadas façam a denúncia em grupo. “Quando vem uma pessoa na delegacia reclamar de perturbação de sossego orientamos para que se una com outros moradores que queiram fazer a mesma queixa. No início encontrei um pouco de resistência dos moradores que além de não querer procurar seu vizinho, também não queriam se identificar. Hoje esse conceito mudou e os moradores estão se unindo em torno de um bem comum, fazendo a denúncia em grupo”, conta Mores.

Em razão desse sincronismo entre a polícia e a comunidade, foi possível a polícia identificar as repúblicas e cobrar explicações dos estudantes, convocados para prestar depoimento. “Eles são alertados que se continuar a perturbar os vizinhos serão responsabilizados criminalmente e a Faculdade de Medicina será comunicada, mas isso não os incomoda muito. O temor dos estudantes é quando alertamos que, se houver reincidências, os pais serão intimados a comparecer na delegacia. Isso causa temor entre eles. A última coisa que querem é, por culpa deles, ver os pais numa delegacia”, revela o delegado do 2º DP.

Outro relato do delegado se deu com a república Biosfera. “Nós convocamos os estudantes desta república para prestar depoimento. Eles saíram daqui e trocaram de casa e o nome da república, passando a chamar Tiporrei e continuaram aprontando e perturbando o sossego público e foram enquadrados novamente”, conta o policial.

Outro dado revelado pelo delegado é que a perturbação do sossego público não vale só para o horário noturno. “A lei é clara e não especifica horário, tanto faz se for duas da tarde, como duas da manhã. O crime é o mesmo. Mas nosso conselho é que as pessoas que se sentirem prejudicadas com o barulho alheio deve acionar os vizinhos que também passam pelo mesmo problema e procurar a delegacia para que possamos tomar as providências que forem necessárias”, orientou Mores.

Vale lembrar que Marcos Mores coordenou um trabalho investigativo que culminou com a identificação de diversos grupos de pichadores que agiam em diferentes regiões da cidade. Esses grupos foram cadastrados e hoje o índice de pichadores que agiam na cidade caiu drasticamente. Agora o foco do delegado está voltado para as repúblicas da cidade.

“Seria insano de minha parte dizer que vou acabar com todos os pichadores ou estudantes que perturbam a ordem pública. Mas podemos, sim, identificar grupos e aplicar as penalidades que estão previstas na lei”, sacramentou.

Fotos: Fernando Ribeiro