Delegado diz que 25 mil pessoas usam drogas em Botucatu

O  aumento significativo de adolescentes no tráfico passa  por problemas sociais, como má formação escolar e educacional, muitas vezes, face a desestrutura familiar

 

A cada dia que passa o número de adolescentes envolvidos com o tráfico aumenta. Muitos deles são “gerentes de biqueiras” espalhadas por diferentes bairros da cidade trabalhando para traficantes que abastecem esse locais de vendas de drogas.  Como a demanda é grande os adolescente enxergam no tráfico uma maneira fácil de ganhar dinheiro e passam a viver, exclusivamente, dele.

Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE), Paulo Buchignani (foto), que tem como delegado adjunto, Mauro Sérgio Rodrigues dos Santos,  existem em Botucatu cerca de 25 mil usuários de entorpecentes (principalmente crack, cocaína e maconha) e esse número aumenta, gradativamente. Para ele o  aumento significativo de menores no tráfico passa  por problemas sociais, como má formação escolar e educacional, muitas vezes, face a desestrutura familiar.

“Esse número (25 mil usuários) é uma estatística pessoal face a minha experiência no combate ao tráfico nesses anos. O jovem não quer saber de estudar mais. Não se interessa em buscar um melhor desenvolvimento e um trabalho de melhor remuneração ou coisa assim. Eles, simplesmente, não conseguem ter esse tipo de raciocínio”, diz o delegado. “Na busca do ganho fácil são recrutados pelo crime e pelo tráfico e com isso, ganham dinheiro e notoriedade no meio onde vivem e chegam a disputar entre eles, perante o dono da biqueira, para conseguirem um lugar para vender droga”, acrescenta.

Buchignani que está completando 20 anos de atuação na Delegacia Especializada no combate ao uso e tráfico de drogas mostrou-se bastante pessimista quanto a eventuais melhoras. "Tenho a plena convicção de que o panorama só vai piorar. Não sou pessimista e sim realista.  O número de usuários de drogas é impressionante em qualquer cidade e isso só faz aumentar a oferta de droga".

E acrescenta: “No meu entender seria necessária uma repressão ainda mais rigorosa, para aqueles que já fazem parte do contexto criminal de uso e tráfico e uma forte política de prevenção e educação, para evitar que crianças e jovens que ainda não ingressaram nesse mundo, o façam. Por hora, o conselho é  que cada pai, cada mãe, cuide muito bem de seus filhos”.